A mocinha do mercado central ©
Categoria: Literatura

Sou conhecido de um monte de atendentes, e gosto de muitos deles. Tem os atendentes de todo dia útil da Galeria dos Estados e do Restaurante Green’s. E tem as atendentes de nem todo dia da Casa do Pão de Queijo, da lavanderia e da revistaria. Espero não ter esquecido ninguém.

A moça de quem quero falar não é atendente, mas é uma simpatia. Vejo-a quase todo sábado e domingo num hipermercado de Brasília. A função dela consiste em auxiliar os clientes e seus carrinhos na esteira rolante. Além de exercer com visível gosto essa humílima função, a moça faz questão de cumprimentar todos os clientes. Tem sido assim todas as vezes em que passo por ela. A mim, que dispenso carrinho pelo quase nada que compro, ela lança o sorriso e o cumprimento sempre animado. Não é um cumprimento protocolar. É um cumprimento de quem realmente está desejando um “bom dia” ou uma “boa tarde”. É uma moça simples, sofre de ligeiro estrabismo, deve ter uns quase trinta anos. Reparo que ela é especialmente atenciosa com idosos. Não sei se, tímido como sou, algum dia irei além de apenas retribuir-lhe o afetuoso cumprimento. Bem que eu mereço conhecê-la melhor, saber como se chama, onde mora, de onde é, etc. Bastaria, talvez, um único gesto de aproximação, gesto que a timidez me tolhe. E se me aproximasse, faria igual fiz com uma copeira de um local onde já trabalhei: cruzando por acaso com ela na saída do prédio, não hesitei em dar-lhe um forte abraço. E sempre que me encontrasse com a mocinha do mercado central também lhe daria um forte abraço. Por ora deixo registrado o meu abraço virtual, não menos carinhoso do que o abraço que vier a se fazer real.

© Nota de canapé: Livro da querida Stella Maris Rezende, escritora mineira lá das Dores do Indaiá.


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    Angela Delgado
    27 de outubro de 2013

    Agora você imprime e entrega a ela.
    Bom domingo pra você, com pelo menos alguns abraços.


    Tarlei
    28 de outubro de 2013

    Obrigado, Angela! A mocinha não mais distribui sua simpatia no mercado central. Tanto o abraço quanto o texto têm de ficar restritos à sua expressão virtual.
    Abs,
    Tarlei






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