Depende de nós ©
Categoria: Música

Quase tudo que acontece aos humanos depende da ação de outro(s) humano(s). Se a gente não perder isso de vista, fica fácil acreditar que o mundo tem jeito, apesar do que o homem tem feito. O grande problema é que as ações humanas que regem as vidas de tantos outros humanos ficam protegidas de sua individualidade porque nascem vinculadas a governos e corporações. O conhecimento está a serviço desses dois senhores. Muito das ações humanas também. Daí que o mundo esteja como está. Não sei que mudança é possível na ordem mundial, mas é um alento saber que tudo depende de nós. Em termos evolutivos, pouco nos distanciamos da origem bárbara que é a matriz humana. Somos pouco menos que bárbaros. A evolução, como se sabe, opera lentissimamente, mas opera sempre. O caminho da mudança está sendo gestado em silêncio, geração após geração. Pelo tanto que já mal-fizemos nesses milênios de dita civilização, o mundo precisa ser reinventado. E tudo depende de nós – vale repetir. A responsabilidade é de cada um. Não dá pra dizer “eu não tenho nada com isso”. Somos todos responsáveis, pessoalmente, pelo que está aí. Não temos saída. Nossos malfeitos, não-feitos, imperfeitos geram débitos cármicos. E seremos cobrados – não resta dúvida. Não se pode esquecer o que disse sabiamente Gandhi: “Devemos ser a mudança que queremos ver no mundo”. E quão longe disso estamos! Tudo depende de cada um, o que significa dizer: tudo depende de todos.

© Nota de canapé: Parceria de Ivan Lins e Vítor Martins.


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    Angela Delgado
    21 de outubro de 2013

    Pois é, Tarlei, Victor Hugo fala das minas subterrâneas religiosas, filosóficas, políticas, econômicas e revolucionárias das sociedades, desdenhadas por nossa indiferença; “Uns cavam com pensamentos, outros com cálculos, outros com cólera. De uma catacumba à outra nos falamos. As utopias caminham por esse conduto e se ramificam em todos os sentidos. Às vezes se encontram e se fraternizam. Nada detém ou interrompe a tensão dessas energias em direção ao objetivo, e a vasta atividade simultânea, que vai e vem, sobe, desce e torna a subir nessas obscuridades troca lentamente o visível pelo latente e o exterior pelo interior. É um imenso formigamento desconhecido, cuja escavação mudando as entranhas e não mexendo na superfície, mal é percebida pela sociedade. Tantas superposições subterrâneas, tantos trabalhos diferentes, tantas extrações diversas… O que advém de todas essas escavações? O futuro.”
    Gostou de minha tradução livre e rápida? Eu fiquei encantada com esse trecho de “Os Miseráveis”, que seu texto me trouxe à lembrança, mas agora tenho que sair…
    Um abraço.


    Tarlei
    21 de outubro de 2013

    Lindo trecho, Angela! Não conheço o original, mas conheço a tradutora o suficiente pra dizer: bela tradução!
    Abs,
    Tarlei


    Diogo
    25 de outubro de 2013

    Mudar de imediato as grandes corporações que regem o mundo é quase impossível, mas mudar a nós mesmos um pouquinho a cada dia, não. E dessa forma mudamos também as pessoas próximas a nós. A cada dia acredito mais e mais que isso já é muita coisa!


    Tarlei
    25 de outubro de 2013

    Isso aí, Diogo. Mudar é preciso — e possível. Ainda bem!
    Abs,
    Tarlei






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