Gente inocente ©
Categoria: Televisão

Costumo passar duas vezes ao dia (depois do café e depois do almoço) numa banca de revistas que fica perto do trabalho. Certo dia, lá estou eu à cata de novidades – a novidade da vez era uma edição especial da Superinteressante. Antes de sair, reparei num garotinho de uns 5 anos perguntando à Almira, dona da revistaria, o que dava para comprar com a moeda que ele lhe entregou. A Almira respondeu, de modo afetuoso, que não dava pra nada. Presumi que o menino, uniformizado, fosse filho de alguma trabalhadora das imediações. E de trabalhadora que certamente ganhava muito pouco. O menino ficou desapontado quando ouviu da Almira que sua moeda não dava pra nada. Que menino não ficaria? Na mesma hora tirei R$ 2,00 do bolso e entreguei à Almira, não ao menino, dizendo a ela que desse ao menino o possível com aqueles R$ 2,00. O menino nada entendeu, até que a Almira lhe dissesse É o tio que tá dando. Tão inocente o menino! Tão sem jeito o homenino que sou! O menino agradeceu, ainda sem entender. O homenino saiu da banca contente, mesmo com a falta de jeito na aproximação com o menino. Talvez o menino tenha sido vítima de um espanto parecido com o que também tive em criança. Estava num bar da cidade vendo TV. Um cliente, do nada, resolveu oferecer picolés e sorvetes para as crianças que viam TV no bar. Era só escolher. Eu, entre o susto da generosidade e o receio de me aproveitar dela, escolhi, a custo, o mais barato dos picolés. Ah, tanta saudade de uma certa inocência – inocência que vi ainda intocada no menino da banca de revistas!

© Nota de canapé: Um antigo programa de TV. Alguém se lembra?


(1)


    Angela Delgado
    13 de outubro de 2013

    Escolheu o mais barato, que gracinha!






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