Bibliotecário de Babel
Categoria: Literatura

Navegante desbussolado, fui parar num blog português chamado Bibliotecário de Babel. O blog é muito bom e brinca inteligentemente com o conto A Biblioteca de Babel, de Jorge Luis Borges.

No frontispício (não cabe a palavra num artefato virtual, mas uso mesmo assim) do blog (já desativado) do escritor Miguel Sanches Neto estava inscrita a frase: “Minha biblioteca nasceu ao sabor de minhas leituras e tem o tamanho de minha ignorância”. Espelhando o tamanho da minha ignorância, tenho uma biblioteca que cresce sem parar e por mais que cresça não dará conta da minha ignorância. Veja o drama: quanto mais se lê mais noção se tem da própria ignorância. É dramático.

Em meio a tantos livros, me sinto o próprio bibliotecário de Babel, confuso, perdido, desesperado e rindo histericamente em momentos de maior desespero… Mais de uma vez já me aconteceu de comprar o mesmo livro, um vexame inconfessável. Outro dia, por um triz não comprava o terceiro DVD do documentário Fabricando Tom Zé. Fui salvo pela falta de dinheiro no momento – estava num show (ótimo, por sinal) do próprio Tom Zé.

Quanto à babélica confusão de livros que me cerca, sinta o meu drama: eu não disponho de tempo, de espaço e de disposição para organizar meus livros. E caso me dispusesse a organizá-los, a falta de memória não me daria garantia nenhuma de não cometer o vexame de comprar mais de um exemplar do mesmo livro. O raro leitor vê alguma saída para o meu drama? Desde já agradecendo a boa vontade, sinto que nenhum conselho me salvaria. Amém!


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