Quanta ©
Categoria: Música

Tenho uma coerência de base que me permite exibir uma incoerência de superfície. E devo isso ao espírito lúdico que é minha primeira natureza, o espírito do faz-de-conta. Faz de conta que sou incoerente. De tanto fazer-de-conta, já não sei o que sou em essência: coerente ou incoerente. Aí inventei isso de coerência de base e incoerência de superfície. Tem base? Oscar Wilde, frasista genial, torneou essa jóia verbal: “A coerência é o último refúgio dos que não têm imaginação”. Sendo eu alguém que aceita perder tudo menos a imaginação, e sendo coerente com essa postura, acolho todas as incoerências que minha imaginação sugere. Não aceito a pobreza binária do 0 e do 1. O que me encanta é o infinito que há entre o 0 e o 1. O cativeiro da razão ergue-se sobre os pilares do 0 e do 1. A emoção quântica se espraia pelos infinitos vazios que se interpõem entre o 0 e o 1. Ninguém jamais saberá quanta ponta de mistério se esconde por trás do detrás. O certo é que, para ser incoerente e ao mesmo tempo comunicar uma sólida coerência, só sendo, como sou, um ser quântico. Ser e não ser é a questão. “Juro que eu não presto”.

© Nota de canapé: Canção do Gilberto Gil.


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