Chão©
Categoria: Música
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Se olho de oncovim pra oncotô, o chão andado é muito. Falo menos do chão de tempo, do chão de espaço, e mais do chão interior, aquele que me faz ser quem eu sou. Jamais perco de vista o meu chão. Jamais me esqueço de oncovim. Posso andar por tempos e espaços, por lugares e pessoas, mas não me afasto do meu chão. Carrego na palma da alma o chão que me constitui. Quem tem chão, tem raízes. E eu as tenho – e profundas. A condição para galgar alturas é ter raízes. É só olhar para as árvores. Quanto mais altas, mais fundas são suas raízes. É só olhar para o buriti e sua imponência senhorial – tal que Guimarães Rosa diz do buriti que é o senhor dos horizontes. Só se alteia quem vai fundo no seu chão. Tirando do que vou dizer qualquer laivo de vaidade, sinto que me alteei para além do que eu próprio supunha possível. E acredito que isso só foi possível porque tenho chão. Olho para o alto, para as estrelas, mantendo sempre os pés no chão. Com essa arraigada memória de chão, de terra, não me deslumbro com os paraísos artificiais do luxo, da suntuosidade. Meu chão é o da simplicidade total. É onde me sinto em casa. Fora desse chão, me sinto “um bugre perdido na luz de néon”. Transito pelo universo de brilhos e bolhas, sabendo que não nos pertencemos. Eu cá no meu chão de simplicidade; os brilhos lá no seu céu artificial. Não troco o meu chão por nada.

© Nota de canapé: Canção do Lenine.


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