Nihonjin ©
Categoria: Literatura

(PSiu: Em homenagem ao Dia da Imigração Japonesa)

Paciência e delicadeza são um traço marcante da cultura japonesa. É desses traços que vêm o origami, o ikebana, o bonsai e tudo mais que o lavor paciente e delicado transforma em beleza… E vem também o sucesso no cultivo de tudo quanto se planta. E se o Brasil é um país em que se plantando tudo dá, mais ainda se plantado por mãos japonesas. O acaso, ou isso que tão descuidadamente chamamos de acaso, plantou no meu caminho a história de uma família japonesa que imigrou para o Brasil em fins dos anos 20. É a família do Sr. Haruo Ohara, avô de um colega de trabalho. Um belo dia o colega me chega com um livro que conta a saga da família do avô. Muito provavelmente o colega havia feito algum comentário que atraiu meu interesse. O livro se chama Lavrador de imagens e foi escrito por Marcos Losnak e Rogério Ivano. O livro me foi entregue como sendo uma preciosidade – e é. Fiquei muito grato pela deferência do colega. Demorei um pouco a começar a leitura. Quando comecei, fui tomado de puro alumbramento. A história tem tudo que as histórias de imigração têm e mais esta: o Sr. Haruo Ohara virou um artista das imagens. E as imagens vinham quase todas das terras que ele cultivava. Como um lavrador que depende da luz do sol para o cultivo da terra, o Sr. Haruo Ohara precisava da mesma luz para cultivar as imagens – a maior parte do seu acervo fotográfico é em preto-e-branco. E ele cultivou terras e imagens por toda uma vida. De todas as imagens que o Sr. Haruo Ohara cultivou e transformou em arte, há uma imagem que só as palavras conseguem fixar: a do seu amor por Kô, a esposa de quem ele cuidou com um desvelo absoluto até o fim. Ver o amor concretizado num gesto de tão irrestrita doação inundou de lágrimas as margens dos meus olhos. Durante a leitura, eu tinha oportunidade de colher o vivido no campo da página e compartilhar o colhido com um neto do Sr. Haruo Ohara, ainda no compasso da emoção. E é no compasso da emoção que eu convido o raro leitor a explorar um pouco mais da ArteVida do Sr. Haruo Ohara. É só clicar aqui e aqui.

© Nota de canapé: Livro do paranaense Oscar Nakasato, vencedor do Prêmio Jabuti 2012, uma vitória cercada de polêmica.


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