Ruminações ©
Categoria: Literatura

“Hora de escrever o post do dia. E começam as ruminações: escrever sobre o quê? O que sobra de assunto para quem já escreveu sobre tudo e sobre nada? Vejamos: poderia escrever sobre as traições da memória, mas para isso eu precisaria contar com alguma acuidade de memória, o que não tenho mais. Tenho memória de alguns esquecimentos, mas os esquecimentos são muito maiores do que a memória que tenho deles. Falar em traições de memória daria uma bela página em branco. Poderia escrever sobre essa coisa brilhante que é a chuva, o tropical sol da liberdade, as horas nuas, a arquitetura do arco-íris, o sorriso do caos, o volume do silêncio, a máquina do mundo, a terceira margem do rio, a rota do indivíduo, a vida como ela é, o admirável mundo velho, as boas coisas da vida, a gramática expositiva do chão, o eterno Deus Mu dança, o tratado geral das grandezas do ínfimo, a estrutura da bolha de sabão, o presumível coração da América, o calor das coisas, o quieto animal da esquina, o casamento dos pequenos burgueses, o bêbado e a equilibrista, as várias pontas de uma estrela, as travessuras da menina má etc. Poderia escrever sobre os desvalidos que vivem ao deus-dará. Heureca! Vou escrever sobre um pedinte que atravessou o meu caminho com a sua dor desconsolada. Comecemos.”

(continua no dia 30/06/2013)

© Nota de canapé: Livro do poeta Donizete Galvão.


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    Angela Delgado
    27 de junho de 2013

    Querido Tarlei,
    Por que não escrever sobre o que está acontecendo, sobre o estrago do PT, porque que uma mulher só, apesar de ser o que é, não conseguiria arruinar tanto o Brasil sem a ajuda da máquina montada por seu partido?
    Por que não escrever sobre o emocionante depoimento de uma médica que chora em seu trabalho devido a falta de tudo nos hospitais, menos de médicos de qualidade. Por que não escrever sobre o absurdo de trazer médicos espiões (?) cubanos para trabalhar aqui, em vez de aparelhar os hospitais? Hoje, eu leio o jornal e choro junto com a Dra.Juliana (vide Cora Rónai em O Globo de hoje, mas também no Facebook). Bendito Joaquim Barbosa e benditos 0,20 centavos que fizeram com que o povo acordasse!
    Um beijo molhado de lágrimas.


    Angela Delgado
    27 de junho de 2013

    Ai, Tarlei, corrija, por favor, o “porque que” acima. Hoje estou naqueles dias em que tudo dá errado. De manhã, dei vários encontrões com móveis e tive que ir atrás de gelo para não ficar toda roxa. Depois “otras cositas más” aconteceram, como a má redação do comentário etc.
    Ponha na conta do pé esquerdo…


    Tarlei
    28 de junho de 2013

    Querida Angela,
    sua errata é tão interessante, apesar de dolorida, que não dá pra separá-la do comentário original. Preferi deixar tudo tal qual. Espero que não se importe.
    Sim, há muita coisa sobre o que escrever. Mas eu preciso de um certo distanciamento temporal pra escrever sobre tanta coisa que as manifestações trouxeram para o meio da rua.
    Um beijo totalmente solidário às suas lágrimas!


    Angela Delgado
    29 de junho de 2013

    Uma última correção ao primeiro comentário:
    A presidente, apesar de ser o que é, contou com a ajuda da maldita máquina montada para fazer o estrago que fez.
    Não sei se a emenda ficou pior do que o soneto.
    Deixa pra lá. Ainda estou me restabelecendo do dia de ontem…
    Um ótimo dia pra você, meu querido solidário.






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