Nada a dizer ©
Categoria: Literatura

Sou contraditório. Aí vem o Nelson Rodrigues e me absolve: “A coerência é, no mínimo, suspeita”. Vivo me repetindo. Aí vem o sábio Machado de Assis e me salva (cito de memória, com amplas possibilidades de erro): “A vida não passa de dois ou três lances que as circunstâncias multiplicam ao infinito”. É certo que eu não preciso desses apoios para ser contraditório e repetitivo, mas não deixa de ser providencial poder contar com eles. Dito isto, vamos às contradições e repetições da hora – que, por sinal, ainda não deram as caras… Será que hoje serei inédito? Se isso acontecer é capaz de a Terra sair de seu eixo. Longe de ser inédito, algo completamente inédito, estou mesmo é sem assunto. Vê o drama? Quando não estou ocupado em ser contraditório ou repetitivo, fico simplesmente sem assunto. E a essa altura já não há espaço para procurar algum assunto, nem inédito, nem repetitivo, nem contraditório… Repare que agora acrescento mais um tema (a arte de não dizer nada) ao meu inventário de dois ou três fios que, feito Penélope, fio e desfio todo o tempo. É com esse nada que, graças ao acaso das estatísticas, procuro desenhar fractais aleatórios e gratuitos. Ah, pretensão pouca é bobagem!!

© Nota de canapé: Livro da escritora Elvira Vigna.


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