Traço de união ©
Categoria: Literatura

(PSiu: Minha homenagem ao Dia da Língua Portuguesa)

“Minha pátria é minha língua”, diz Caetano numa canção, apropriando-se do que disse Fernando Pessoa: “Minha pátria é a língua portuguesa”. Me amarro na última Flor do Lácio, inculta e bela. Apesar da distância cultural e geográfica que separa os luso-parlantes, conforta saber que a língua portuguesa está presente em todos os continentes. Está apta, portanto, a ser um traço de união de todos eles, a despeito de todas as distâncias. É a oitava língua mais falada no planeta e terceira entre as línguas ocidentais, atrás apenas do inglês e do espanhol. A lusofonia tem sua força, mas não em termos culturais, ficando, nesse domínio, situada na periferia do mundo. I love the portuguese language. Amo-a tal qual é, desconhecida e obscura. À parte a preguiça para qualquer aprendizado que demande muito esforço, não tenho o menor desejo de estudar outra língua. Porque, ou se estuda para ser fluente, ou não se estuda. Estudar pra ser um mau falante de qualquer língua, tô fora. Tenho mais o que não fazer. Para além da questão de ser fluente, há um outro fato que torna, para mim, pouco atraente o estudo de outra língua. Ainda que a dedicação ao aprendizado pudesse garantir a fluência, não garantiria, nunca, que o fluente fosse criativo naquela língua. Eis tudo: não poder ser criativo em outra língua mata por completo, se já não o tivesse matado a preguiça, meu desejo de estudar outra língua. Para essa certeza, fio-me nas palavras da escritora Nélida Piñon. Fluente em inglês e espanhol, perguntaram-lhe por que ela não escrevia nessas línguas. A resposta: “Eu não sou criativa em inglês ou espanhol”. Não estou querendo dizer que sou criativo em português. Apenas que, lusófono nativo, tenho acesso pleno às possibilidades criativas da língua. No caso de outra língua, tem-se de saída a certeza contrária. A verdade é que eu não precisaria de nenhuma razão além do amor para selar minha fidelidade absoluta à língua portuguesa.

© Nota de canapé: Livro do português Miguel Torga.


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    Alexandra
    11 de junho de 2013

    Querido Tarlei,
    você é um incansável! Criador, criativo, incrível! Fiel aos milagres da língua acontecidos com a ajuda de um lápis e da liberdade de ser.

    Beijo,
    Alexandra


    Angela Delgado
    11 de junho de 2013

    Bom-dia, querido lusófono!
    AMEI a bandeira emendada! Quando à sua notória preguiça, respeito-a, mas, adoro palavras em geral, sejam em português, em francês, em espanhol ou em italiano. Engatinho nesta última língua e para mim é um deleite entender uma frase. Em italiano, é fácil entender muitas como “sono talmente felice”, “egli prendeva la cosa tropo al tragico”,”un raggio di calore e di gioia”, terremoto interiore”, etc. É mais ou menos como se estivesse saboreando, para variar, qualquer quitute de outro país. Não quero mais criar. Acho que só porei para fora o que insistir em querer sair. Há tantos livros para serem lidos… E acho a comunicação fundamental. Não precisamos ser perfeitos. Ninguém o é.
    Um abraço.


    Tarlei
    11 de junho de 2013

    Minha querida poliglota,
    graças à minha notória preguiça para línguas, semeio abobrinhas apenas em português. Melhor assim. E não sei por que me obstino tanto nessa semeadura se o melhor mesmo é, de longe, ler.
    Abs,
    Tarlei


    Tarlei
    11 de junho de 2013

    Minha querida Alexandra,
    por causa da “ajuda de um lápis e da liberdade de ser”, invoco Caetano e sua “Língua”: “Gosto de ser e de estar / E quero me dedicar a criar confusões de prosódia e uma profusão de paródias”.
    Abs,
    Tarlei






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