Compasso ©
Categoria: Música

Em compasso de admiração, assino embaixo desses versos do Gilberto Gil: “Meu caminho pelo mundo eu mesmo traço / Que a Bahia já me deu régua e compasso”. Mesmo assinando embaixo, o segundo verso poderia perder seu laivo bairrista. Assim: “Que a vida já me deu régua e compasso”. E assim vou no compasso da vida, um compasso ora lento, ora apressado. A vida dá o ritmo. E eu sigo no compasso, mesmo quando, às vezes, fico fora do compasso. Porque viver é isso: um passo a passo, um pouco a pouco, um devagar e sempre – até o compasso final. Vivemos em compasso de espera – seja do imediato, seja do distante. E chegamos a um e outro de igual modo: passo a passo. Viver é um passatempo, não no sentido que lhe dá o dicionário, mas no sentido literal de tempo que passa. No momento, estou em compasso de espera: de um livro meu já quase pronto, da alforria e da quizomba que se seguirá à alforria. Será? Mais que em compasso de espera, estou em compasso de ansiedade. Já passa da hora de eu dar início ao passo a passo da festa. Não será nenhuma festa de arromba – imagine! É só um tempo para todos, eu e meus amigos, ficarmos em compasso de muita alegria. É só isso. E estou a um passo disso. Se eu, claro, não perder o compasso do tempo, o que não é improvável.

© Nota de canapé: Parceria de Ângela Ro Rô e Ricardo Mac Cord.


(0)





© 2017 - ArteVida – A vida sem a arte é insustentável – Blog do Tarlei Martins - todos os direitos reservados
Design: V1 Digital - desenvolvido em WordPress