Nada é tudo
Categoria: Literatura

Não tenho memória de alguma vez ter escrito em sossego. É sempre correndo, fugindo de alguma obrigação, driblando alguma urgência etc. O resultado muito provavelmente é eu não escrever coisa com coisa. É quando estou no meio da roda-viva que a vontade de escrever surge imperativa. A custo aprendi como funciono. Quanto piores as condições, melhores as chances de um texto sair. Se tenho tempo, me deixo facilmente envolver pelos tentáculos da preguiça. Tanto é verdade que, em casa, posto em sossego, entregue ao ócio, escrevo muito pouco. Preciso mesmo é do empuxo da falta de tempo, de assunto, de inspiração… Quando tudo isso se junta, escrevo que é uma beleza. E a escrita que resulta disso tudo é uma escrita-anã. Melhor: é um texto-bonsai, encolhido ao extremo. Escrever para além de vinte linhas virou excepcionalidade. Escrevo em velocidade taquigráfica e em concisão telegráfica. É claro que escritos assim não têm substância. São exercícios, happenings, performances, piruetas. No fim de tudo, nada. O bom é que nada pode ser tudo. Ou melhor: nada é tudo. Quem o disse, e aqui estou assinando embaixo, é o economista Eduardo Giannetti ao escolher para título de um de seus livros o axioma “nada é tudo”.


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    Angela Delgado
    19 de maio de 2013

    Rs. Que delícia de “texto-bonsai”!
    Vou querer sempre essas belíssimas “piruetas”!
    Um ótimo dia pra você, bem atarefado…


    Tarlei
    19 de maio de 2013

    Angela,
    na minha idade, já era hora de eu parar com essas piruetas verbais e escrever mais a sério. Mas o “homenino’ que há em mim deixa? Historinha do Quintana. Uma sobrinha perguntou ao poeta porque ele só falava besteiras. A resposta: “Ora, eu não sou mais nenhuma criança”.
    Bjs,
    Tarlei






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