Meu erro ©
Categoria: Música

Há um recurso estilístico chamado plural de modéstia, usado quando se quer afastar a idéia de importância pessoal. Indo por essa linha, e por conta do título do post, o meu caso é de um singular de imodéstia. Porque o que quero é apontar alguns escorregões gramaticais que cometo, por mais cuidadoso que eu procure ser no manejo da escrita. Claro que há muitos mais, mas aqui quero apontar apenas dois de que me recordo – ambos graves. Escrevente apressado, que combina zelo e distração em igual medida, tasquei uma crase em “Desde às 7h10 (…)”. Sou bom de crase e não subscrevo o que disse o poeta Ferreira Gullar, a saber: “A crase não foi feita para humilhar ninguém”. O poeta assim se pronunciou porque de fato são muitas as armadilhas da crase. E o erro que cometi nem está entre essas armadilhas. Foi um erro elementar e por isso mesmo mais grave.

Passo ao outro erro, esse de concordância. Em texto já publicado aqui, escrevi a certa altura: “(…) eu desejaria que a leituratura dos meus minifestos provocassem (…)”. A gente fica sugestionado pelos “s” de “meus minifestos” e vai tascando o monstruoso “m”, mesmo cansado (e careca) de saber que o núcleo do sintagma é “leituratura” e é com esse núcleo que a concordância se faz. Há exceção quando se usa a expressão “a maioria”. Por exemplo: admite-se o uso do plural em “a maioria dos brasileiros escolhem mal seus representantes”. Para o mal da minha reputação de escriba zeloso, meu erro não se encaixa nessa exceção. Passei por ele quando ajeitava o texto para publicação aqui no blog. E não o percebi de imediato. Estava eu matutando num ajuste que ainda não tinha conseguido fazer e fui repassando mentalmente o texto. De repente me ocorreu que tinha cometido o erro quase fatal. Ainda me dei o benefício da dúvida. Não o mereci. O erro estava lá, retumbante. Alegra-me saber que esse não foi o primeiro e nem será o último. Com erros tais, acabarei contratado por uma editora. Ai, como eu não presto!

© Nota de canapé: Sucesso dos Paralamas, que também vez sucesso na voz de Zizi Possi.


(2)


    Angela Delgado
    16 de maio de 2013

    Tarlei querido,
    Garanto que ninguém havia percebido seus erros. Na próxima vez que errar é só ir às postagens, clicar em editar e corrigir. Simples assim!
    Mas, gostei do texto. Aliás, tudo que tem saído de sua “pena” tem sido muito interessante.


    Tarlei
    16 de maio de 2013

    Querida Angela,
    vivo fazendo isso, quero dizer: vivo voltando às minhas postagens… Há sempre um dito que pode ser melhor dito, uma frase que pode ser melhor penteada etc.
    Abs,
    Tarlei






© 2017 - ArteVida – A vida sem a arte é insustentável – Blog do Tarlei Martins - todos os direitos reservados
Design: V1 Digital - desenvolvido em WordPress