Vai trabalhar, vagabundo ©
Categoria: Música

O mundo do trabalho é cruel. Enquanto estive na plenitude do meu vigor e disposição, eu trabalhava apenas 6 horas diárias. Isso aconteceu até eu vir para Brasília, em 2000. Tinha, então, 37 anos. Agora, aos quase 50 – apesar da pouca distância dos 37 –, sinto que envelheci muito além desses treze anos cronológicos. A matemática é cruel: você vai perdendo tudo (vigor, agilidade mental, memória, cabelos – a lista é infindável), mas é justamente nessa trajetória de perdas irreparáveis que o trabalho mais exige de você. Se a idade nos dá um certo cabedal de experiência profissional, não nos dá a disposição necessária para responder ao que sabemos. Então há um descompasso grande entre o que se poderia fazer e o que se consegue. É uma questão biológica e como tal deveria ser tratada. Assim: aos 40 anos a jornada diária máxima de trabalho não deveria ir além das 6 horas. Aos 50, não poderia passar de 4. Alguém discorda? Macunaíma repetia sempre: “Ai que preguiça!” O meu refrão é: “Ai que cansaço!” – seguido de longo suspiro.

© Nota de canapé: Canção de Chico Buarque para o filme homônimo de Hugo Carvana.


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