O chamado ©
Categoria: Música

Só pode ser. Não há outra explicação. Algo maior que eu me chama para a escrita. Algo maior que a preguiça me move da zona da inércia e me leva a escrever. A obstinação em puxar a vida para dentro das palavras deve vir de algum chamado. O chamado para a expressão escrita vem de longe. A constância na escrita vem de ontem, ou seja, do dia 9/5/2010. Daquele ontem até agora, não parei mais. Ao contrário, disparei. Claro que são escritos de nenhuma importância: simples registro do meu estar no mundo, do meu olhar amoroso para a vida. O que me espanta é a perseverança no ofício de seguir atendendo ao chamado, eu que costumo ser surdo a tudo que me tire do conforto da preguiça. Não tem sido assim com a escrita. Tenho, claro, preguiça de escrever, um exercício nada fácil. O surpreendente para uma natureza preguiçosa como a minha é que a vontade de escrever consiga vencer a preguiça. Isso não acontece em nenhum outro domínio da minha vida. Também ajuda a opção por textos breves, de fôlego curto. É uma queda de braço com a palavra e na qual emprego toda a força de que disponho. A luta, no entanto, é curta, rápida: acabou a força, acabou a luta. Ou então a escrita resulta de um mergulho: dura o tempo em que eu consiga ficar submerso. É pouco, muito pouco. Acabado o fôlego, tenho de voltar à tona. O certo é que, entregue ao chamado, fico surdo a tudo mais. Também não enfeitemos demasiado. O que eu chamo de chamado não passa de um “psiu”. E o que escrevo não passa de outro “psiu”. Gosto de escrever baixinho, sem quase fazer barulho.

© Nota de canapé: Parceria dos irmãos Antônio Cícero e Marina Lima.


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    Angela Delgado
    13 de abril de 2013

    Cheguei. Pra me encantar com seu “psiu”.
    Lembra da formiguinha intelectual que vivia fuçando minhas traduções? Ela voltou. Interessadíssima, a abusada, passeando pela tela do meu computador! Chamada por alguém ou uma força que intuiu que você a agradaria em cheio? Que as folhas verdes que ela carrega lá fora não têm sabor algum perto das suas?

    Diferente do seu mergulho rápido e intenso, postei um poema longo, mas lindo, de outro escritor que, tenho certeza, você, a formiguinha e seus 300 leitores irão gostar.
    Um bom fim de semana,
    Angela


    Tarlei
    13 de abril de 2013

    Que formiguinha danada com as palavras! Muito lindo seu comentário! Obrigado!
    Tá registrado o chamado para a leitura do poema longo e lindo postado lá no seu recanto (bisous-angela.blogspot.com.br).
    Bj,
    Tarlei






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