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Categoria: Música

À parte o detalhe de que nenhum editor se interessará e descontando o Quase nada que pretendo editar por conta própria, o fato é que tenho material para alguns livros. Um deles poderia se chamar Memórias involuntárias. Tão por acaso certas lembranças foram indo para o papel que melhor título não podiam ter. De tudo que tenho escrito, certamente essas memórias involuntárias devem ocupar a maior parte. Sobre falar tanto de mim mesmo, defendo-me com estas palavras do escritor português Lobo Antunes: “(…) nós só falamos de nós mesmos. A imaginação não é mais do que a forma como você arranja os materiais da memória. Não há imaginação. Há memória.”

Outro livro poderia se chamar O apanhador de desperdícios, título também de um lindíssimo poema do Manoel de Barros. O livro seria composto dos flagrantes da vida miúda que se derramam generosos e distraídos e que eu recolho amorosamente. Não sei se o material que tenho daria para um livro. Como a colheita continua, se o que já tenho não for bastante, logo será.

Só mesmo um Quixote feito eu para embarcar nesses delírios de “encher de vãs palavras muitas páginas e de mais confusão as prateleiras”. Cavalgando esses delírios quixotescos, eu poderia reciclar o bordão de certo programa de humor e dizer: “Porque livros prontos eu tenho. Só me falta o editor”.

© Nota de canapé: Canção do Caetano Veloso.


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    Angela Delgado
    7 de abril de 2013

    Como só te falta o editor? E o Tagore?
    Gostei de “Memórias involuntárias”, mas ao mesmo tempo esse adjetivo pode soar como indesejáveis.
    Bom domingo!


    Tarlei
    7 de abril de 2013

    Querida Angela,
    sou gratíssimo ao Tagore. Quando falo que nenhum editor se interessará, é justamente pensando na clássica relação em que o editor contrata o autor — e não o contrário… Rsrs… Como está dito, trata-se de uma edição não-comercial. Mas repito: sou gratíssimo ao Tagore.
    Abs,
    Tarlei


    Angela Delgado
    8 de abril de 2013

    Querido Tarlei,
    Para um editor se interessar pelo autor, primeiro você tem que virar best-seller…
    Beijo.


    Tarlei
    8 de abril de 2013

    Minha querida Angela,
    quando se vira best-seller, todos os editores se interessam pelo autor. Já eu me agarro a esta certeza humilde: lançado o livro, despontarei de imediato para o anonimato…
    Bj,
    Tarlei






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