O falso mentiroso ©
Categoria: Literatura

Não sei mentir. Só sei brincar. O problema é que a boa brincadeira precisa de um pouco (ou muito) de mentira. Quem não se lembra do faz-de-conta, a melhor das brincadeiras? Não sabendo mentir, e não podendo deixar de brincar, então me resta brincar a sério. Será possível? Há quem me julgue imune à falta de assunto. Eu, não. Todo dia, ao terminar de escrever mais uma vez o de sempre, penso: amanhã não vou conseguir. Isso ainda não se concretizou, mas é questão de tempo. Pensando nisso, já tenho engatilhada uma saída. No dia em que não conseguir escrever o de sempre, republico um post qualquer, cuidando de escolher entre os mais antigos, aqueles que seguramente já estarão ao desabrigo da memória da minha meia dúzia de leitores fiéis. Há um certo risco, eu sei. O que eu penso estar esquecido pode estar vivíssimo na memória de quem me leu. Caso isso acontecesse, minha reputação estaria para sempre perdida, sem a menor possibilidade de resgate. Repito que seria uma brincadeira bastante arriscada. Justamente por isso fico bastante tentado. Mas se eu não sei mentir, como aqui estou dizendo, a brincadeira fica descartada de antemão. Ou não?

© Nota de canapé: Livro do Silviano Santiago – que preciso ler.


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