Faz parte do meu show ©
Categoria: Música

Nada mais contrário a mim do que o luxo. O meu partido é o da simplicidade total. Sem prejuízo da verdade que acabo de dizer, faz parte do meu show abrir espaço para pequeníssimos luxos na minha vida pra lá de simples. Falei em pequeníssimos luxos e poderia dizer luxos invisíveis. Porque são luxos apenas para mim mesmo. Um desses luxos é o uso de talher (garfo e faca) para o salgado (enroladinho) que acompanha o café de toda manhã. Acho um pouco grosseiro o jeito fast-food de comer, embora o faça em algumas circunstâncias. A preferência, no entanto, será sempre para a elegância de garfo e faca. Para além da elegância, no caso do enroladinho recém-saído do forno, o uso de garfo e faca é mais que aconselhável. Antes de aderir ao garfo e faca, já chafurdei na deselegância de ver o queijo derretido escorrer sorrateiro, sujando dedos e roupa. Um horror!

Outro luxo meu é não ficar monitorando planos de operadoras, pontos de relacionamento, milhagem de empresas aéreas etc. É preciso ser muito afeito à chatice para se dispor a acompanhar as regras todas – que mudam a toda hora. Venho aprendendo que, no reino das chatices nossas de cada dia, tudo pode piorar. Aqui em Brasília criou-se uma tal de Nota Legal. A adesão ao programa gera créditos para alguns tributos – IPTU, IPVA etc. A cada compra que você faz nos estabelecimentos conveniados, o caixa pergunta: “CPF na nota?”. Se for o caso, é preciso ditá-lo. Uma chatice. Não faz parte do meu show.

Há domínios em que a falta de algum luxo é fatal. Um exemplo: as cafeterias com um mínimo de requinte fazem acompanhar seus cafés com um gracioso copinho de água com gás. Uma que freqüento, quando eventualmente o copinho apropriado não está disponível (quantidade insuficiente), serve a água naqueles copinhos descartáveis. Eu nem toco. Acho o fim.

Numa vida de pouquíssimos e quase invisíveis luxos, tenho agendado um pequeno luxo: o da volta para Uberlândia por cima, quero dizer, pelos ares. Nem pensar em voltar de ônibus. Pior que isso seria voltar no caminhão da mudança. Já pensou?

© Nota de canapé: Parceria de Cazuza e Renato Ladeira.


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