A máquina ©
Categoria: Literatura

Sou uma máquina de ler. E de esquecer. Acabei o Diário de Lya (releitura de um excelente livro), de Elvia Bezerra, e já estou de vento em popa em Coreografia de danados, de Whisner Fraga. Quase poderia dizer que sou um fast-reader. A fome de ler me faz ir na contramão do que eu próprio escrevi sobre leitura. Veja: “Nada mais contrário à leitura que a velocidade. O leitor – para ser um verdadeiro leitor – tem de ser, antes de tudo, um ruminador, já que ler é um processo que continua para muito além do tempo físico gasto no ato de ler. (…) É preciso deixar o tempo fazer seu silencioso trabalho de destilação”. Não se pode esquecer “que a rede de pescar sentidos, o leitor a vai urdindo devagar e lentamente, fio a fio. Após longa e silenciosa freqüentação dos livros, essa rede vai ficando mais e mais apta a pescar sentidos”. O que me salva é uma certa facilidade, vinda dos tantos anos de leitura, para pescar sentidos, para guardar do que leio o traço principal, o risco do bordado. Ou será demasiada pretensão?

© Nota de canapé: Livro da escritora e roteirista Adriana Falcão.


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