Você não entende nada ©
Categoria: Música

Confesso que a opção de viver aquém das minhas posses tem lá seus dissabores. A experiência de ficar levando carro em oficina não é das mais agradáveis. Para uma pessoa como eu, refém da própria ignorância nesses assuntos, é uma experiência angustiante. E parece estar escrito na sua cara que você não entende nada daquilo. Ai, a preguiça (e desconfiança) de quando o mecânico diz: seu carro tem isso e isso. E você: “ahn?”. O ambiente de uma oficina é, por si, inóspito e onde falta um mínimo de delicadeza. Certa vez, ao entrar com o carro em uma oficina, o mecânico foi logo comentando: “Esse carro tá queimando, hein?” Eu respondi, um pouco desconcertado: “É, ele já tá meio rodado”. Mas eu não me abalo. Não é isso que vai me fazer deixar de seguir cumprindo, “sem amargura, sem revolta, o estatuto civil da pobreza”. O bom de tudo é que, embora tenha escolhido viver aquém de minhas posses, mantenho a capacidade de rir além das minhas posses. E rir é o melhor remédio pra tudo.

© Nota de canapé: Canção do Caetano Veloso.


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