Um sonho ©
Categoria: Música

Fernando Pessoa escreveu: “O poeta é um fingidor / finge tão completamente / que chega a fingir que é dor / a dor que deveras sente”. Eu me considero um sonhador, apesar do zodíaco (sou taurino) me atribuir a característica de ser um pé no chão. Para não contrariar o zodíaco, digo, então, que sei encolher as asas quando ando e sei encolher os pés quando vôo. Sendo um sonhador, resolvi parafrasear Fernando Pessoa e escrevi: “Sou um sonhador, na verdade / sonho tão intensamente / que o sonho toca a realidade / deixando de ser sonho somente”. Entre os mil e um sonhos que acalento nas dobras do desejo, um deles me visita com certa insistência. Reparto com o raro leitor. Sinto em mim uma vocação para a diplomacia. Então sonho: por que não ser diplomata? Mas acredito que o melhor do sonho é continuar sonho. Entre esse sonho e a minha realidade há um mundo de interdições – todas superáveis, claro. Veja: a vida cigana, nômade, é própria da diplomacia; eu adoro o meu quintal, não gosto de me sentir estrangeiro. Eu não tenho vontade de aprender nenhuma outra língua (para não ser radical, talvez o francês); sem o domínio do inglês, a diplomacia é um sonho quase impossível. Por essa mínima amostra logo se vê que sou um sonhador abusado. Não sei se já disse: sou pequeno mas miro os Andes.

© Nota de canapé: Canção do Gilberto Gil.


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