It’s a long way ©
Categoria: Música

Foi no dia 22/12/1982, uma quarta-feira. Naquele dia dei início à minha jornada de bancário. Para meu espanto, de repente passaram-se trinta anos. É um longo caminho, com muita mudança ao longo do caminho. Eu mesmo não mudei quase nada – a mesma alegria de viver, o mesmo riso solto, o mesmo espanto com o tanto que a vida tem sido generosa comigo. Ao meu redor, no entanto, quanta mudança! Num arco de trinta anos, a realidade bancária foi do pré-analógico ao pós-digital. Quanto a mim, diria que estou no meio do caminho: não mais analógico (apenas ilógico); ainda não completamente digital. Mantenho com prazer certos enclaves do passado (LP e máquina de escrever, por exemplo) e cultivo hábitos pra lá de ultrapassados – escrever à mão e a lápis está no topo. Nos tempos pré-digitais da função bancária, fui datilógrafo, digitador, microfilmador, revisor de microfilmes, somador de cheques etc. Aí chegou o computador pra “resolver problemas que nós não tínhamos” (Arnaldo Jabor). E não tínhamos mesmo. Sou testemunha! Em compensação, sem computador não teríamos as tantas soluções que ele trouxe – junto, claro, com os problemas que não tínhamos. Sim, quase tudo mudou no cotidiano bancário. Nenhuma novidade nisso. “É na mudança que as coisas repousam”, já dizia o velho Heráclito. Não posso contrariar a dinâmica da vida, mas a essa altura ousaria pedir mais repouso e menos mudança. A máquina de viver, que tripulo há… deixa pra lá!, já dá sinais de desgaste. Logo chegará a hora de eu me dedicar ao ofício do ócio e desejo poder contar com uma máquina ainda capaz de uma longa caminhada. Sei que caminhar no tempo é “desbravar a própria finitude” (Nélida Piñon). A despeito disso, caminhamos sempre – até o fim. Nesses trinta anos de jornada laboral, o maior legado é o do convívio – quanta gente bacana! Na dispersão dos dias, a gente quase não se dá conta do verdadeiro presente que é esse convívio diário, esse exercício de alteridade tão saudável e necessário. O convívio faz surgir um invisível cordão de afeto que nos liga silenciosamente um ao outro. E é nesse invisível fio que a gente se segura para ir tocando em frente. Para trás ficam os trinta anos de ofício. Pela frente, quem sabe outros trinta anos – de ócio!! Assim seja!!

© Nota de canapé: Canção linda do Caetano.


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    Angela Delgado
    22 de dezembro de 2012

    Ócio e boas crônicas, amém!
    E as belas pernas, são também suas? (rs)
    Sua criativa árvore foi encaminhada, reencaminhada e novamente encaminhada, juntamente com suas palavras e a propaganda do seu blog, onde aqueles que o acessarem encontrarão mais um presente de Natal.
    Beijo.


    Tarlei
    22 de dezembro de 2012

    Querida Angela,
    o ócio será bem-vindo, mas tenho receio de imergir num ócio improdutivo. Que assim não seja. A experiência tem mostrado que escrevo mais quando estou sob a pressão da falta de tempo. Se vem a vontade de escrever, escrevo mesmo sem ter tempo. Tendo tempo, pode ser que a vontade de escrever fique em permanente gestação.

    Nem as pernas (rsrs…) e nem a árvore (do cartão de Natal) são minhas. Tudo capturado da rede. Obrigado pela propaganda do blog.
    Bjs,
    Tarlei


    Angela Delgado
    22 de dezembro de 2012

    Pensei que aquela árvore estava no seu quarto… Já ia comentar sobre o abajour, que também achei interessante…
    Mas, não faz mal. Vou fazer uma árvore parecida, acho que menorzinha, para não haver um desmoronamento colossal, quando quiser pegar um livro…
    Espero que o ócio o faça escrever cada vez mais. Mas, você está muito moço para ficar simplesmente aposentado. Logo, logo estará fazendo o que fez aquele que se desaposentou para cuidar das árvores de uma praça. Nem sei mais onde li isso. É um texto interessante.
    E eu sei o que é escrever em horas impróprias, principalmente à noite… Quando vem a vontade de escrever, sai de baixo!
    Beijo.
    De nada pela propaganda. Há pouco fiz mais uma. Coisa boa não é para ficar guardada a sete chaves.


    Adriana Kortlandt
    23 de dezembro de 2012

    Olá, Tarlei.

    Estou lendo seu blog por recomendação da Ângela Delgado, uma amiga querida. Estou adorando! Quanto ao seu medo do ócio improdutivo… Fique não! Isto simplesmente não acontece com escritores como você.
    Bom começo de mundo!

    Adriana


    Tarlei
    23 de dezembro de 2012

    Olá, Adriana!
    Merecer um comentário assim é um ótimo começo de mundo… Muito obrigado! Seja bem-vinda ao meu mundinho…
    A Angela virou uma espécie de fada madrinha que não se cansa de despetalar palavras generosas em minha direção. Como agradecer?
    Fiquei curioso do seu relicário. Vou explorá-lo com calma.
    Muito obrigado pela visita e pelo comentário.
    Abs,
    Tarlei






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