No dia em que eu vim-me embora ©
Categoria: Música

Completo, hoje, exatos 13 anos de Brasília. No dia em que eu vim-me embora, sozinho, pra capital, não teve nada demais. Eu estava feliz e apreensivo. Feliz por ter conseguido desatar, sem maiores dramas, os laços de família. E apreensivo por tudo o que estava por vir. O eixo da minha vida mudou por completo. Era tudo novo e tudo junto: nova cidade, novo local de trabalho, novas responsabilidades, novos colegas. A sorte é que Brasília me recebeu de asas abertas. Daí a pouco já estava bem aninhado na vastidão a céu aberto que é Brasília.

Quando decidi levantar vôo de Uberlândia, Brasília surgiu como pouso natural. Na hora do vôo propriamente dito, o primeiro, fato que fazia de mim um marinheiro de primeira voagem, eu estava tomado de prosaicas preocupações: desconfiado, quando eu podia acreditar que uns numerozinhos iriam garantir vôo e hospedagem em Brasília? Resolvida a questão do vôo (os numerozinhos funcionaram), restava a questão do hotel. Voei intranqüilo. No aeroporto, apenas minha mãe, a irmã, o cunhado, duas sobrinhas e uma colega de trabalho – que apareceu na última hora quando eu já desfraldava na mão esquerda o lenço de despedida. Acenei de longe, grato pelo carinho da presença.

Agora, 13 anos depois, começo a pensar no vôo de volta. Não contava bater asas daqui. No entanto, o futuro que se desenha acena para isso. Aceito. No dia em que eu for-me embora da capital, vou levar uma grande saudade embrulhada no peito. Elisa Lucinda diz que saudade é fome de presença. Para matar essa saudade, desejo poder vir aqui com freqüência. A idéia é manter o ninho de estimação. Assim seja!

© Nota de canapé: Uma bela canção do Caetano.


(4)


    Angela Delgado
    17 de janeiro de 2013

    Mesmo sem te conhecer pessoalmente, já não gostei dessa partida, mas se é o melhor pra você…


    Tarlei
    17 de janeiro de 2013

    Angela, é uma necessidade que vem se impondo para além do meu desejo. Vai dar tudo certo. E não parto antes de nos conhecermos… Isso, não.
    Abs,
    Tarlei


    Edna Freitass
    18 de janeiro de 2013

    Muito querido Tarlei, relembrando o amigo poeta Newton Rossi, com quem tive a honra de conviver….. ” Aqui, tudo é diferente. Ninguém escolhe Brasília. Brasília é que escolhe a gente.” Poeta Tarlei, vc tem ASAS. Poderá ir. Poderá Voltar. Voará. Voltará. ASAS para voar.


    Tarlei
    20 de janeiro de 2013

    Minha querida Edna,
    se, como você diz, tenho ASAS, ganhei-as de Brasília. E se, como você também diz, sou poeta, talvez consiga “voar fora da asa” (a definição de poesia por Manoel de Barros).
    Abs,
    Tarlei






© 2017 - ArteVida – A vida sem a arte é insustentável – Blog do Tarlei Martins - todos os direitos reservados
Design: V1 Digital - desenvolvido em WordPress