Arquitetura do arco-íris ©
Categoria: Literatura

(PSiu: Mais imagens do Maurício Ricardo, aqui.)

Lá se foi Niemeyer para o último traço, o só traçável de corpo inteiro (1).

Depois de tanto driblar “as curvas do tempo”, lá se foi Niemeyer para as dobras da eternidade. Arquiteto que deu leveza ao concreto, que fez das curvas a marca do seu traço, lá foi ele cuidar da arquitetura do arco-íris, lá foi ele cuidar do “céu de Brasília”, “imaginando como se faz palácio em chão de estrelas” (Conceição Freitas em crônica de 09/12 para o Correio Braziliense).

Lúcio Costa traçou as coordenadas da cidade. Niemeyer escreveu-a em concreto. Nessa escrita há muitas obras com traços geniais: a Catedral, o Palácio do Planalto, o Palácio da Alvorada, a Igrejinha e tantas outras. A mais recente delas é a Torre de TV Digital, apelidada Flor do Cerrado. Há também aquelas que, na minha leiguíssima opinião, destoam da suave elegância das suas irmãs de traço. Cito apenas duas: a Biblioteca Nacional de Brasília e o Museu da República. Para além de qualquer opinião, o “traço do arquiteto” reina soberano nesse “sonho feliz de cidade”. É um traço que dá identidade arquitetônica única (ou arquitetúnica) a essa cidade. Mesmo com essa forte assinatura, é fato que Brasília já está além da “niemeyer lei”. O tempo “já cobre de ruínas tuas impecáveis matemáticas”. Embora me encante com a Brasília monumental, não deixo de olhar para a Brasília fora do eixo, a Brasília para além das asas.

Antes de bater asas para o derradeiro pouso, o corpo de Niemeyer pousou na cidade a que deu corpo e forma. Glorificado como arquiteto, o Oscar que Niemeyer merece – e soube como ninguém conquistar – é o de bem viver.

Viva Niemeyer!

(1) Paráfrase do poema Palavra final, homenagem do poeta Affonso Romano de Sant’Anna ao grande Mestre Aurélio.

© Nota de canapé: Livro da escritora Cíntia Moscovich.


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