Omelete man ©
Categoria: Música

Desde o já longínquo dia 09/05/2010 que venho botando um texto-ovo na tela, via de regra a cada três dias. É um assombro que eu esteja conseguindo manter essa regularidade. Não é muito apropriado chamar de texto-ovo o que me escorre pelos dedos. Rubem Alves considera o ovo um assombro geométrico. A perfeição da forma, a consistência da casca tão frágil e ao mesmo tempo tão resistente, a brancura imaculada que o envolve – de fato todo esse conjunto é um verdadeiro assombro. No texto-ovo que boto quase todo dia não há assombro nenhum: peca pela falta de forma, nasce prematuro e vem carregado das impurezas que trago em mim. A única semelhança do meu texto-ovo com um ovo de verdade é o esforço exigido na operação de botá-lo. No mais, só diferenças. Às vezes acontece de meu texto-ovo, ao bater na tela, ser quebrado por algum comentário. Nesses casos, que felizmente não são poucos, adiciono sal, óleo, e faço uma omelete. Desnecessário dizer que prefiro o texto-ovo quebrado por algum comentário. Ter o texto-ovo quebrado me dá oportunidade de virar um omelete man. Imagino que o que move o raro leitor a quebrar o texto-ovo é a esperança de encontrar alguma substância – que não há. No embate entre a esperança (do que pode encontrar) e a experiência (do que encontra), alguns raros leitores vêm se mantendo heroicamente ao lado da esperança. Isso não tem preço!

© Nota de canapé: Canção do Carlinhos Brown.


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    Angela Delgado
    20 de dezembro de 2012

    Querido Omelete man,
    Uma graça os ovinhos e esse seu texto é um espelho de uma alma rara e lindíssima! Fiquei tão encantada quanto ao ler certos trechos de “A Menina que roubava livros”, um dos melhores livros que já em li e olha que não foram poucos…


    Tarlei
    20 de dezembro de 2012

    Querida Angela,
    só uma alma rara feito a sua pra ver encanto nos meus cacarejos. Obrigado!
    Bjs,
    Tarlei


    Marcelo
    22 de dezembro de 2012

    Tarlei, parabéns por mais uma obra-prima!
    Seu texto passeia com leveza pelo ar da madrugada, deixando sinais irrefutáveis do grande escritor que você é!
    Dono de um estilo impecável, enxuto, você sempre nos põe a viajar, na carona de palavras certeiras que miram no coração dos visitantes e acertam em cheio as tantas verdades da vida!
    Grande abraço!


    Tarlei
    22 de dezembro de 2012

    Marcelo, muito obrigado por mais uma jóia de comentário!
    Seu comentário passeia com desmedida generosidade pela minha discreta trilha verbal, deixando nas margens dela sinais cabais do quanto você é “profundaltíssimo”… E vou me permitir associar essa “produndalteza” ao fato de seu nome, Marcelo, ser um elo entre mar e céu.
    Grande abraço!
    Tarlei


    Marcelo
    24 de dezembro de 2012

    Putz, o que dizer agora senão reafirmar minhas palavras; de que seu texto abriga um laboratório irrequieto, sujeito às intempéries da alma humana, onde se misturam os ingredientes perigosos de que são formados os nossos sonhos?
    O que dizer do jogo de luzes realçando o charme de palavras desembrulhadas com cuidado do grande manto do universo onde hibernam sentimentos indizíveis?
    Abraço!
    Ps: Obrigado pela generosidade com que sempre se refere às minhas palavras. Visitar o seu blog é programa de luxo!


    Tarlei
    25 de dezembro de 2012

    Luxo, mesmo, é merecer comentários feito os seus, Marcelo. Obrigado sempre!
    Abs,
    Tarlei






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