O óbvio ululante ©
Categoria: Literatura

Não me basta ser óbvio. Preciso também ser ululante. A obviedade de que quero falar, e que ulula de tão óbvia, é que tudo é leitura. E se tudo é leitura, óbvio que tudo é texto. Lemos o tempo todo. Somos todos especialistas em leitura. E é uma pena que, leitores natos, leiamos tão pouco a vida que se recolhe no espelho da palavra escrita. É que, enquanto a leitura da vida é um movimento natural, a leitura do escrito é um movimento cultural e requer algum empenho. Isso não diminui, penso, nossa potência de leitores. Diminui apenas nosso horizonte de leitura. Sou leitor do tipo onívoro, mas tenho apetite especial para a vida que se sedimenta na palavra escrita. Não se pode esquecer, nunca, que o que está sedimentado na palavra escrita é resultado de uma leitura. Toda escrita é, antes, leitura. Nem tudo que se lê deságua na escrita, mas tudo que se escreve vem da fonte da leitura. Se a leitura é fonte, a escrita é reservatório que contém parte do que jorra da fonte. A leitura prescinde da escrita. A escrita depende da leitura. O leitor que sou desde sempre prescindiu, por quase toda uma vida, de transpor o lido para o escrito. O leitor que fui me fazendo afeiçoou-se à escrita há bem pouco tempo. E desconfio que é amor para o resto da vida. Assim seja!

© Nota de canapé: Seleção de crônicas do Nelson Rodrigues, por Ruy Castro.


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    Angela Delgado
    24 de novembro de 2012

    Bom-dia, Tarlei.
    Adorei esse texto!
    Bom fim de semana pra você.


    Tarlei
    24 de novembro de 2012

    Bom-dia, Angela!
    Que bom que gostou! Somos ambos devotos da leitura, somos ambos da mesma irmandade.
    Bom fim de semana pra você também.






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