Chamadas telefônicas ©
Categoria: Literatura

Não sei se são rabugens próprias da idade. O que sei é que não gosto de nenhuma das opções de toque de celular. E me refiro apenas às opções do próprio aparelho. Nem tomo conhecimento dos ringtones sem fim que se podem baixar no aparelho. No mundo dos ringtones tem bizarrice pra toda falta de gosto. Tem coaxar de sapo, tem canto de passarinho, tem galo cantando, boi berrando, bebê chorando, tem sirene de polícia, tem a música do plantão do Jornal Nacional, tem som de caixa registradora etc. E tem as músicas que também viram ringtones. Um sobrinho querido é chamado ao som de “Eu quero tchu / Eu quero tchá…”. Acho todos os ringtones chatos, até mesmo o que reproduz o toque das chamadas telefônicas de aparelhos fixos, o nostálgico “triiiimmmm”… A infinidade de opções é um campo aberto para as bizarrices. Meus ouvidos fatigados já ouviram de tudo. Ainda assim me espantei com o toque que era o de um filhotinho de cachorro ganindo. Estando eu num ônibus, ao ouvir os ganidos logo pensei num atropelamento ou em alguém maltratando um filhote. Era uma chamada telefônica. Não pude deixar de ouvir, e de deplorar, um pouco do que a mulher falou a quem ligou. Logo ao atender ela disse: “Você não liga pra mim, seu cachorro!”. Até que ela foi coerente na escolha do ringtone. E o cachorro que ligou devia ser pai do filhotinho que gania. Ai, minha nossa senhora do bom gosto, valei-me, que assim eu não agüento.

© Nota de canapé: Livro do escritor chileno Roberto Bolaño (1953 – 2003).


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    Angela Delgado
    27 de outubro de 2012

    Rs.
    O toque do meu celular é a linda música portuguesa “Para Maria”, cantada por Mafalda Arnauth. Tão linda que, quando a coloquei, eu demorava um pouco a atender o telefone, só para ficar ouvindo-a!
    Diga-se, de passagem, que Maria era o nome da minha mãe.


    Tarlei
    29 de outubro de 2012

    É, Angela, eu não queria admitir mas a implicância com toques de celular tem a ver com as rabugens da idade. Não se pense, daí, que eu não gosto de música. Música é o que há.
    Abs,
    Tarlei


    katia simoes fletcher
    29 de outubro de 2012

    Deixa a vida me levar,vida leva eu!!!!Abç.






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