Os sobreviventes ©
Categoria: Literatura

Porque já estou cuidando da alforria laboral, fui a um evento promovido pela empresa, chamado Caminhos para a aposentadoria. A primeira palestra teve este título pomposo: Aspectos psicossociais de uma nova jornada: a pós-carreira. Achei o tom da palestra ligeiramente alarmista quanto às possibilidades de adoecimento pós-emprego. O fato incontestável é que o ciclo laboral faz estragos na nossa máquina de viver. Com a máquina avariada, o risco de emergência de doenças decerto que existe. E o ócio criativo com que tantos de nós sonhamos pode se transformar em ócio degenerativo. Eu, hein? O palestrante diz que somos seres de rotina. Não podemos nos esquecer que a gente se aposenta de um emprego, não do trabalho. Ler/escrever dá muito trabalho. Então creio que não terei problema algum nesse aspecto. Além de atividade trabalhosa, ler/escrever tem a contrapartida de me dar muito prazer. Quando se perde o vínculo com uma rotina que consumia grande fatia da nossa vida ativa, de fato há um grande buraco a preencher. Tudo está em sermos diligentes no aprendizado do ofício do ócio. Tenho pra mim que serei. As outras duas palestras trataram de questões técnico-jurídico-legais. Interessantes também porque é do resultado dessas tecnicidades que virá o financiamento do nosso ócio. O meu ócio, desejo poder fazê-lo criativo, recreativo… A platéia que se juntou num auditório mostrou-se atentíssima a tudo. Éramos uma turma de alegres sobreviventes a caminho da aposentadoria.

© Nota de canapé: Um conto bem down do Caio Fernando Abreu.


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    Angela Delgado
    18 de outubro de 2012

    Tarlei, com exceção de seus colegas de trabalho, sua aposentadoria deve estar sendo esperada por todos aqueles, e aí me incluo, que lucrarão muito com ela. É verdade que alguns aposentados costumam sentir uma dor aqui, outra lá, mas acho que é pura falta do que fazer, o que não será o seu caso. Brindemos à sua próxima aposentadoria!


    Tarlei
    18 de outubro de 2012

    Querida Angela,
    curtindo os ócios do ofício (estou em férias) e prestes a me dedicar tão-somente aos ofícios do ócio, aceito o brinde: tintim!! Só não posso aceitar que alguém mais, além de mim (vá lá: de você também), esteja à espera dessa abolição pessoal. Uma vez chegada a abolição da minha escravatura, abro alas para uma “ebulição da escrivatura”. Será?
    Abs,
    Tarlei






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