É luxo só ©
Categoria: Música

Às vezes estamos tão dentro de uma certa realidade que nos esquecemos do quão privilegiados somos. Tendo vindo da realidade de que vim, não tenho direito a esse esquecimento. E por isso quero proclamar que minha vida é um luxo só. Quer luxo maior do que poder comer fora – e bem – todos os dias? Quer luxo maior do que poder comprar – e nem sempre ler – os livros que desejo? Quer luxo maior do que ter um quarto próprio – e mínimo – em pleno plano? Quer luxo maior do que poder abdicar de carro na cidade habitada por uma estranha espécie constituída de cabeça, tronco e rodas? Quer luxo maior do que, à beira dos trinta anos de cárcere laboral, continuar com o riso solto? Quer luxo maior do que ter a mente e o corpo sãos? Quer luxo maior do que ser o equilíbrio em pessoa, digam o que disserem? Quer luxo maior do que, por exemplo, ver um show – e que show! – da grande Rosa Passos? A baixinha (metro e meio, talvez) é uma gigante no talento musical. É uma baixinha de estatura internacional.

Minha vida não tem nada demais, mas é um luxo só. Tenho tudo quanto quero, na exata medida do meu pouco querer. O meu luxo está na simplicidade, no querer menos, no precisar do mínimo. E se quero pouco, se preciso de pouco, o luxo de que falo é só um contentamento íntimo. É um luxo invisível. Onde está escrito que o luxo tem de ser visível? O luxo da ostentação não me interessa. A verdade é que só gosto do luxo que é luxo só pra mim.

© Nota de canapé: Parceria de Ary Barroso e Luiz Peixoto.


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    Edna Freitass
    15 de outubro de 2012

    Sou (re)visitada em um texto assim. Encontro-me nele. É esse efeito mágico do leitor de ver-se refletido no texto, que o faz ler, percorrer as linhas e ver que ele, leitor, existe, está ali, no texto, na vida. O texto é colheita da vida. Da minha vida. Da vida do outro.
    … “Tendo vindo da realidade de que vim, não tenho direito a esse esquecimento. (…) Minha vida não tem nada demais, mas é um luxo só. Tenho tudo quanto quero, na medida exata do meu pouco querer.”


    Angela Delgado
    15 de outubro de 2012

    Tarlei, cheguei!
    E adorei saber que você tem o dom da felicidade, porque ela, sem dúvida nenhuma é um talento, meio raro. Eu também o tenho, mas, a maioria quer sempre mais…


    Tarlei
    15 de outubro de 2012

    Querida Angela,
    tê-la de volta “é luxo só”. Sobre felicidade, gosto de lembrar essas palavras da Dona Canô: “Felicidade é pra quem tem coragem”.
    Seja muito bem-vinda!
    Abs,
    Tarlei


    Tarlei
    15 de outubro de 2012

    Querida Edna,
    “é luxo só” saber que você se viu refletida na pequena colheita que fiz no quintal da minha vida. Obrigado!
    Abs,
    Tarlei


    Marcelo
    16 de outubro de 2012

    Tarlei, não tenho tido tempo de fazer incursões no mundo luxuoso do teu blog. Mas esse texto, como todos os de sua lavra, são de um refinamento só! Lembrou-me um pouco a última crônica da Martha Medeiros quando ela disse que precisamos de pouco para sermos felizes: ” Anote aí: arte, silêncio e amor”.
    PS: Além do seu blog, quer exemplo melhor de luxo do que a voz aveludada de Rosa Passos?!
    Abração!


    Tarlei
    16 de outubro de 2012

    Marcelo,
    luxo mesmo é ser merecedor de palavras tão aveluladas. Muito obrigado! Sim, concordo com a Martha Medeiros e lanço mão de uma frase do Borges que, embora fale de literatura, pode ter seu alcance ampliado. Eis: “A literatura é uma forma de felicidade e a felicidade não deve requerer muito esforço”. O ponto é: a felicidade não deve requerer muito esforço. A propósito, a última reunião de crônicas da Martha Medeiros ganhou o título “Feliz por nada”.
    Abs,
    Tarlei


    katia simoes fletcher
    17 de outubro de 2012

    Tarlei,
    Alegria é ter o prazer de conviver com pessoas iluminadas como você. Sentimos muito sua falta!!Bjsssss,kkk.Volte logo!


    Tarlei
    17 de outubro de 2012

    Querida Kátia,
    voltar é preciso… Só não precisa ser logo, apesar da saudade… rsrs… Obrigado pelas palavras gentis!
    Bjs,
    Tarlei


    Marcelo
    19 de outubro de 2012

    Maravilha, Tarlei! Eu li este livro (” Feliz por nada”). Sou fã de carteirinha de Martha Medeiros. Estou relendo o essencial “Doidas e Santas”. Linda a frase de Borges citada por você. Quase sempre nos esquecemos de que para a felicidade acontecer não é necessária nenhuma “obra de engenharia” que dê formato aos nossos sonhos. Afinal, felicidade rima com simplicidade e se retirarmos o excesso, o que resta é a vida, a vida toda.Grande abraço.
    Quando puder, terei enorme prazer em receber a sua visita no meu blog marceloottonicmenezes.blogspot.com.br


    Tarlei
    19 de outubro de 2012

    Marcelo,
    concordo total. Felicidade e simplicidade encerram em si muito mais que uma rima, senão que uma belíssima solução… Ah, vasto mundo!
    Terei enorme prazer em re-visitar seu blog. Quase tudo o que escrevo vai para a tela, mas eu mesmo não sou bom “teleitor”. Daí que as visitas aos pixels de estimação estejam sempre em atraso.
    Grande abraço!
    Tarlei






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