Malabaristas do sinal vermelho ©
Categoria: Música

Já dizia um conhecido meu: “A vida não dá moleza pra seu ninguém”. Mesmo para quem pode se orgulhar de ter um bom emprego, a vida não é fácil. Que dirá para a maioria de desafortunados!! Entre tantos, os malabaristas do sinal vermelho. Eles têm de fazer graça tendo tudo contra: o tempo do sinal, a má vontade dos motoristas, a precariedade do número que apresentam… E não é incomum que os passantes em seus possantes não lhes dêem uma única e mísera moeda. Dia desses, a caminho da Livraria Cultura, pude observar dois malabaristas. O normal é que o número seja individual. O fato de ser uma dupla já me chamou a atenção. Do ônibus eu pude assistir à exibição. E porque fazia um calor de 34º, fiquei condoído de ver os dois malabaristas, jovens ambos, batalhando uns trocados no maior desconforto. O número foi bem executado. Nenhum erro. E com tudo contra – repito. Eles tinham de fazer o número o melhor possível, sem esquecer o tempo do sinal e sem esquecer que a exibição deveria acabar a tempo de amealharem alguma ajuda. Porque o que os motoristas desejam, a bordo da má vontade típica de quem está parado no sinal, é que o sinal abra antes que os malabaristas possam pedir algo. Por conta disso, o malabarismo da dupla tinha de ser duplo. Até onde pude ver, logo depois que o sinal abriu, nenhum motorista se dignou a ajudar a dupla. Logo que o sinal fechasse, dali a um ou dois minutos, eles começariam tudo outra vez, sem nenhuma certeza da mínima retribuição. De certo, apenas o sol inclemente das duas da tarde, o calor de rachar – e a indiferença de todos para a sorte daqueles pobres malabaristas do sinal vermelho.

© Nota de canapé: Parceria de João Bosco e Francisco Bosco, pai e filho.


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