Dois irmãos ©
Categoria: Literatura

A psicanalista Maria Rita Kehl é autora de um ensaio famoso sobre a função fraterna. Porque hoje é dia do irmão, deu vontade de falar dessa relação, mas num registro comandado menos pela vivência do sentimento de ser irmão e mais por testemunhar relações entre irmãos. Pra falar dessa relação tão delicada e tão essencial ao nosso estar no mundo, preferi olhar para fora da minha própria vivência de irmão. Quando se está dentro da coisa vivida, perde-se o privilégio de um olhar em perspectiva. Tenho uma irmã e um irmão queridíssimos (sobre eles já escrevi aqui e aqui), mas quero falar de outros dois irmãos, Diogo e Magno, em quem vejo em alta resolução a beleza da fraternidade se fazendo concreta em cada gesto, em cada palavra, em cada silêncio. Filhos de um primo, acho-os admiráveis em tudo. Estudiosos (ambos graduaram-se pela Universidade Federal de Uberlândia), educados, inteligentes, bem-humorados, responsáveis – aprenderam muito cedo a tomar conta de si, a tomar conta um do outro. Não é que faltassem cuidados – melhor pai e melhor mãe não podiam ter. Foi pelas circunstâncias de terem pai e mãe trabalhando fora. Além do mais, sendo o pai gerente de banco, as mudanças de cidade foram freqüentes durante toda a infância e adolescência. Penso que tudo isso os aproximou ainda mais. De certo modo, experimentaram cedo a certeza de que tinham de contar muito um com o outro. E presumo que isso os fez crescer mais amigos, mais parceiros, mais irmãos… Sei bem que nenhuma relação é fácil e não é diferente a relação de irmãos. No mar revolto do convívio há lugar para sentimentos turvos como o ciúme, a raiva, a rivalidade e a inveja. Aí vem o tempo com sua força depuradora e transmuta os sentimentos turvos em cuidado, paciência, cooperação e admiração.

O Magno, grande na estatura e no coração, é profissional da área da computação. O Diogo, engenheiro mecânico, vem vivendo a saga dos concursos públicos e não demora sairá vitorioso de um deles. Ambos estão chegando à casa dos trinta e é bonito ver o quanto um admira o outro, o quanto um dá força pro outro, mesmo hoje cada qual morando em uma cidade.

Para os dois, todo meu carinho e admiração. Para os meus irmãos, todo meu amor.

© Nota de canapé: Romance do escritor amazonense Milton Hatoum.


(10)


    Angela Delgado
    5 de setembro de 2012

    Fico feliz pelo relacionamento que mantém com seus irmãos. Tenho 9 irmãos e somos também muito unidos.
    Beijo.


    Magno
    5 de setembro de 2012

    Uau… Que homenagem, que honra! Como você, tenho a mania de ter certeza que estão exagerando quando falam de mim… Exagero ou não aqui, de dentro da minha vida, por muito tempo achei que a relação com meu irmão fosse normal. Que todos os irmãos fossem assim. Que irmão tem que amar incondicionalmente irmão. Tem que apoiar, tem que brigar quando não concorda (a pessoa que só concorda contigo não é sua amiga!), e abaixar a cabeça e pedir desculpas quando descobre não ter razão. Ora bolas, são irmãos! A vida trata de mostrar que nem sempre é assim… Que muitas vezes se perde o respeito, e o orgulho impede de pedir perdão, minando relações de irmãos (todos os tipos de relações, na verdade) mundo afora. Engraçado é que já cheguei a refletir algumas vezes e cheguei à conclusão de que, se não fossemos irmãos, não seríamos amigos. Somos tão diferentes em tanta coisa! (Felizmente) Nunca poderei verificar esta teoria. O que sei é que adoro, amo meu irmão, e que fico muito feliz desta relação inspirar alguém, ainda mais você, Tarlei. Muito obrigado!!

    PS.: Se fosse chutar, eu e Diogo ficamos assim, tão próximos, realmente porque tivemos que cuidar muito um do outro. Seja na época em que minha mãe ia para a faculdade toda noite e meu pai quase sempre chegava tarde do trabalho, ou quando saímos de casa para estudar, eu com 14 e ele com 15 anos, ou até mesmo em Uberlândia, já preparando para prestar vestibular, estávamos sempre cuidando um do outro. Enfim, acho que o motivo meio que foi overdose de irmão!


    Nora
    5 de setembro de 2012

    Adorei esse post! Como sempre você coloca as palavras muito bem. Foi muito feliz nessa homenagem ao Diogo e o Magno, que são exemplos de irmãos mesmo. Neste dia também dedico meu amor para você e o Leandro.


    Tarlei
    5 de setembro de 2012

    Obrigado, maninha! Devia essa homenagem a esses dois irmãos tão queridos e tão especiais. Homenageio diretamente o Magno e o Diogo, indiretamente você e o Leandro, e por extensão todos os irmãos. Um feliz dia do irmão!
    Bjs,
    Tarlei


    Tarlei
    5 de setembro de 2012

    Magno,
    seu comentário tão sensível, tão ponderado, tão de dentro, ficou muito além do escrevi. Se jeito houvesse, seu comentário iria para o lugar do post e meu post iria para o lugar do comentário. Fico contente de meu singelo texto ter motivado um comentário tão lindo! Obrigado!
    Abs,
    Tarlei


    Tarlei
    5 de setembro de 2012

    Querida Angela,
    pelo jeito, é a família do exagero: em simpatia, em generosidade, em delicadeza e em quantidade. Conheço apenas dois dessa incrível falange do bem, mas fico tranqüilo para dizer: conheceu dois, conheceu todos. Parabéns pela irmandade!
    Bjs,
    Tarlei


    Angela Delgado
    6 de setembro de 2012

    Obrigada, Tarlei. Somos simpáticos, admito, mas não exagerados. Parabéns pra você também pela sua família, que abrange igualmente primos.


    Diogo
    6 de setembro de 2012

    Obrigado pelo comovente texto, Tarlei! Você descreveu com uma bonita delicadeza a minha relação com o Magno. Acho que além de irmãos somos amigos que se amam e se respeitam muito. Sinto muita falta dele!
    Abs,
    Diogo


    Tarlei
    10 de setembro de 2012

    Eu é que agradeço sua visita com pegadas, Diogo. Sei que você passeia por aqui, mas não costuma deixar rastros, obediente a uma natureza mais recolhida, de pouco se jogar na rede.
    Abs,
    Tarlei


    Tarlei
    10 de setembro de 2012

    Querida Angela,
    tenho tendência ao exagero, mas o que eu quis dizer é que se sente da parte de você(s) um esbanjar de simpatia, de generosidade… E esse é um tipo de prodigalidade que não vejo como transformar-se em exagero… Um exagero do bem é só um exagero “bem” grande.
    Bjs,
    Tarlei






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