Tudo azul ©
Categoria: Música

Gosto de dizer que o céu de Brasília é de um azul celeste, celestial – e que o raro leitor releve a nenhuma originalidade do dito. A jornalista Conceição Freitas (cronista de mão cheia. Escreve para o Correio Braziliense. Algumas crônicas estão aqui) diz que o céu de Brasília é um mar de ponta-cabeça. Caetano diz numa letra: “Céu de Brasília / traço do arquiteto”. O céu de Brasília merece todas as loas – e luas. Ontem, por exemplo, uma imensa lua cheia boiava nua no céu. Aqui do mirante do Planalto, por onde se olhe há uma imensidão de azul. Sob a desmedida umbela de um céu todo azul, digo que “comigo vai tudo azul”. E não digo por dizer. Apesar da fieira de obrigações, das aporrinhações miúdas da vida de todos nós, sigo em sintonia com o azul. O curioso é saber que, valendo-me de uns rudimentos de óptica aprendidos alhures, o azul não está no céu – está em mim. Todas as cores estão no nosso olhar e não na coisa olhada. Não é interessante? Há todo um jogo entre a luz e a nossa retina que produz o mistério das cores. Caetano tem uma canção linda que se chama Rai das Cores. Nunca entendi por que Rai e não Rei. O refrão da canção pergunta: “Quais são as cores que são suas cores de predileção?” A minha é o azul. Pra terminar, estes versos do poema Quase, do Mário de Sá-Carneiro, poeta português contemporâneo de Fernando Pessoa: “Um pouco mais de sol – eu era brasa, / Um pouco mais de azul – eu era além. (…)”.

© Nota de canapé: Uma canção do Lulu Santos.


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    Angela Delgado
    31 de outubro de 2012

    Quer dizer que você já voltou!
    Um abraço e muita chuva (à noite, para não atrapalhar ninguém)!


    Tarlei
    31 de outubro de 2012

    Você é uma leitora arguta. E eu um blogueiro astuto. Deixo os posts agendados e para este, em especial, tive de recorrer ao calendário lunar. Escrevi-o no dia seguinte a um dia de lua cheia e só o publiquei ontem (30/10). O certo é que ainda não estou de volta, mas quase: pouso na minha asa de estimação na manhã do dia 2/11.
    Abs,
    Tarlei


    Angela Delgado
    31 de outubro de 2012

    Ah, não! Bem no dia que estarei indo ao Espírito Santo…


    Marcelo
    5 de novembro de 2012

    Tarlei, parabéns por mais este belo texto! O céu de Brasília é realmente um caso a parte. Seu degradê luxuoso, sua textura luminosa; o céu de Brasília comove. Não é pano de fundo, visto que rouba a cena, é um céu pra lá de bonito, que nos paralisa; é um céu protagonista! Grande abraço!


    Tarlei
    6 de novembro de 2012

    Marcelo, obrigado por mais este belo comentário! Você disse muito acertadamente: o céu de Brasília rouba a cena; é um céu protagonista. Aproveito o mote para dizer que seus comentários são dessa mesma natureza: protagonistas. Me sinto pra lá de honrado com eles. E eles fazem par perfeito com os comentários idem da sua querida irmã Angela Delgado. Muito obrigado!
    Abs,
    Tarlei






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