Alegria, alegria ©
Categoria: Música

Não nego: tenho um xodó pela crônica. A crônica é uma espécie de transgênero. Nela parece caber tudo: memória, ensaio, jornalismo, poesia etc. A crônica pode tudo. Mesmo com tanto poder, a crônica é tida como um gênero menor. Mais uma razão para o meu xodó. Gosto do pequeno, do mínimo, do escondido, do quase invisível. Desconfio que não há país mais cronicamente viável do que o Brasil. Diz-se que no Brasil em se plantando tudo dá. Deve ser por isso que a crônica, espécie baldia, discreta e sem vãs pretensões, tão bem se aclimatou por aqui. E vem dando a nós, leitores crônicos, frutos em abundância e para todo gosto. Na minha mesa de leitor crônico não faltam alguns desses frutos: Humberto Werneck, Ivan Ângelo, Joaquim Ferreira dos Santos, Antônio Prata, João Ubaldo Ribeiro, Marina Colasanti, Alcione Araújo, Affonso Romano de Sant’anna, Conceição Freitas, Ana Miranda, Luís Fernando Veríssimo – para falar apenas de alguns dos que estão em pleno desfolhar de seus rebentos. Estou certo de que esses rebentos orgulhariam Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Antônio Maria, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Machado de Assis e outros tantos grandes mestres desse gênero menor. E olha que astúcia: a palavra “menor” esconde em si a palavra “enorme”.

Dito isto, divido com o raro leitor uma grande alegria: fui agraciado com um destaque no VII Concurso Rubem Braga de Crônicas, promovido pela Academia Cachoeirense de Letras. Desnecessário dizer o quanto a conquista me honra. Com a bênção de Rubem Braga – o grande sabiá da crônica, imenso na perícia em cuidar do lírico e do miúdo –, quero seguir cronicando.

Para o caso do raro leitor se interessar, o que croniquei no concurso está aqui.

© Nota de canapé: Primeiro sucesso do mano Caetano. Ele chegou sem lenço, sem documento – e comandou o movimento.


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