O fio da palavra
Categoria: Literatura

A palavra falada não passa de uma rajada acústica, de um aglomerado de sons. A palavra escrita não passa de um aglomerado de traços. Contudo, é espantoso o que pode uma palavra carregar de sentido, de significado, de sopro de vida inscrito na sua superfície. Eu fico pasmo. É o fio da palavra que nos leva a todos os lugares, a todas as pessoas, a todos os sentimentos, a nós mesmos… É no fio da palavra que me equilibro. É na palavra que me seguro. É da palavra que vem meu sustento metafísico. É pela palavra que me salvo. É com a palavra que leio o mundo. É para a palavra que peço proteção. É a palavra que compõe os silêncios de quando rumino. A palavra anda na cabeça, anda na boca de todos os homens… A palavra cura feridas. A palavra abre feridas. A palavra enlouquece. A palavra traz sanidade. A palavra lança luz. A palavra lança sombras. A palavra faz rir. A palavra faz chorar. A palavra dá esperança. A palavra tira esperança. A palavra esclarece. A palavra confunde. A palavra acalenta. A palavra desespera. Parafraseando o grande Bartolomeu Campos de Queirós, autor do belíssimo livro que dá título a este post, digo que a palavra é meu porto, minha porta, meu cais, minha rota… Sem a palavra não sou (somos) ninguém. Viva a palavra!


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    Angela Delgado
    10 de agosto de 2012

    Seu “puxadinho” me encantou. Ganhei hoje com ele um belo e gostoso presente. Parabéns! Nota 10 para o texto acima.


    Tarlei
    10 de agosto de 2012

    Querida Ângela,
    eu também ganhei um gostoso presente com seu comentário tão generoso! Obrigado!
    Abs,
    Tarlei


    Marcelo
    14 de agosto de 2012

    Tarlei, por indicação de minha irmã Angela Delgado, cheguei por aqui e a paisagem com que me defrontei foi espetacular! O texto inicial sobre a fertilidade do gênero da crônica no Brasil e o que reina aí em cima (sobre as palavras) são irretocáveis e provocaram em mim um tremendo bem estar. Parabéns! Aos poucos, conhecerei todo o seu material, degustando devagar o tesouro que se avizinha.
    Em tempo: Temos alguns escritores na família; a Ângela, que tem um blog de crônicas e variedades(bisous-angela.blog.com.br), o Cristiano (Cristiano Menezes, diretor da Rádio Nacional, radialista, jornalista e poeta de mão cheia), o Alvaro (Alvaro Ottoni), escritor infantil, o Luiz, grande contista, que mantém um blog de contos, fotografias e cerâmicas (luizottoni.wordpress.com) e este que vos escreve, que tem a poesia como raiz e referência (marceloottonicmenezes.blogspot.com.br). Desculpe pela propaganda familiar, mas é que os universos se entrelaçam. Grande abraço!


    Tarlei
    14 de agosto de 2012

    Marcelo,
    acho que generosidade é “mal” de família. A Angela, que conheci virtualmente há meros três dias, já virou uma fada madrinha dona de palavras as mais encantadas, as quais têm me deixado quase sem palavras. Agora você me chega com essas palavras tão generosas! Muito obrigado!
    Adorei a propaganda familiar e me sinto honrado de ter meu universo entrelaçado ao dessa “falange” do bem. Vou espiar tudo.
    Grande abraço,
    Tarlei






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