Para ser escritor ©
Categoria: Literatura

Ao contrário do que pensa o Álter (ver post anterior), de mim são sairá nenhum impropério. Em vez, apareço para reforçar tudo o que foi dito, mesmo que o intuito do dito tenha sido apenas o de me espezinhar e não de dizer verdades.

Sei que não nasci para ser escritor. Sei que os meus escritos de circunstância estão a anos-luz de qualquer estatuto artístico. Sei que escrever é sangrar, abundantemente (Caio Fernando Abreu). Sei que escrever é uma danação. Sei que gosto de ficar no âmbito das amenidades. Sei que gosto de receber – mas não somente – afagos. Sei que não estou preparado para dar a cara a tapa. Sei que o que escrevo não interessa a ninguém além da meia dúzia de amigos que me atura. Sei que é a vaidade inconfessável que comanda o gosto de me deixar escrever desatento. Sei que não vou chegar a lugar nenhum com o meu cortejo de ninharias e me contento de chegar a alguns corações amigos. Sei que meu destino é faiscar minha desimportância para ninguém. Sei que não mereço (e nem preciso) nada além deste puxadinho virtual escondido num recanto do ciberespaço. Sei que não posso querer mais nada. Sei que não consigo me calar, mesmo sem ter nada a dizer.

© Nota de canapé: Livro de Charles Kiefer, escritor gaúcho.


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