Linhas tortas ©
Categoria: Literatura

Eu adoro caderninhos. Tenho vários. Comecei comprando uns caderninhos bem simples, de espiral mesmo. Desde que descobri o Moleskine, não me interesso mais por nenhum outro tipo de caderno. Meu estoque de Moleskines e assemelhados não é grande. O problema é que não os acho dignos de abrigarem as linhas tortas que escrevo em quase transe e que resultam em garatujas quase ininteligíveis. Daí que meus Moleskines estão todos intocados. O meu modo de escrever é completamente caótico. Além do mais, o lápis é por onde gosto de escoar meus excessos. E porque tudo é provisório e incerto, os rabiscos facilmente apagáveis têm tudo a ver com essa provisoriedade e incerteza. Gosto de escrever em papéis ordinários (guardanapos, bloquinhos, oitavados reciclados, papéis impressos e descartados cujo verso seja aproveitável etc). E para escrever nos Moleskines talvez eu precisasse de uma Mont Blanc. Como a caneta não é meu instrumento, é bem provável que os Moleskines continuem desertos de traços – traços que seguem proliferando descontrolados em papéis ordinários – eles, sim, à altura da ordinariedade do que escrevo.

Nisso de gostar de caderninhos estou em boa companhia. O poeta Manoel de Barros também é aficcionado por eles. A diferença é que o Manoel não os compra, fabrica-os artesanalmente. Prontos, os caderninhos viram ninho da poesia do Manoel. E que poesia! Os meus escritos não têm pouso certo. Caem quase sempre em folhas avulsas. Depois os prendo numa nuvem de bits. Assim presos, eles adquirem a condição de copiáveis e a falta de originalidade que lhes é própria acaba debutando em algumas telas.

© Nota de canapé: Livro do Graciliano Ramos.


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    Angela Delgado
    3 de setembro de 2012

    Quer parar de ser modesto? Cinthia Kriemler disse que te ama. Vindo de quem vem, isso tem um peso considerável. E você, a cada dia que passa vai arrebanhando mais fãs. Portanto, deixe essa modéstia descabida de lado!


    Tarlei
    3 de setembro de 2012

    Angela,
    não é modéstia, é consciência dos meus limites. Juro!!!
    Uma honra saber que a Cinthia Kriemler curte meus escritos. Falando nela, estou aguardando ansioso o livro “Do todo que me cerca”, que está pra sair.
    Abs,
    Tarlei






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