Catar feijão ©
Categoria: Literatura

 

João Cabral, o poeta cabal, diz num belíssimo poema que catar feijão se limita com escrever. Não discordando, digo que escrever se limita com puxar fios. A gente vai emendando um fio no outro até surgir um tecido, um texto, um bordado. Dependendo do desenho que se vai fazendo, nem todo fio que se puxa serve – precisa ser descartado. E nem sempre se consegue puxar o fio que daria ao texto mais leveza, mais cor, mais movimento… Escrever será sempre um ofício de artesãos pacientes. Não há pressa que faça nascer um texto. O texto pode até ser feito depressa, mas isso terá sido precedido de uma elaboração longa e silenciosa. Gosto da ideia de artesanato – a beleza que surge do ordinário, do comum, unicamente pela habilidade do artesão. Só o que desejo: ser um artesão das palavras. E viver sob a certeza de que quanto mais escrevo, mais escravo.

  

© Nota de canapé: Poema que está no livro A educação pela pedra e depois. E se é do cabra Cabral, o que escrevia no idioma pedra, é pedra de toque fundamental.


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    marcia mazzelli rodrigues
    22 de junho de 2011

    Meu Deus!!!
    Pensei que estava sozinha.
    Que só eu assim pensava.
    Que só eu me agastava.
    Pensei …….. pensei….., só pensei.
    Não delirei.
    E sempre gostei de catar feijões.


    Tarlei
    24 de junho de 2011

    Oi Márcia,
    Pensei…. pensei…. e continuo pensando: que mistérios internéticos a trouxeram ao meu barquinho que navega a esmo por essas vastidões virtuais? Fico feliz que tenha aportado por aqui. Obrigado pela visita e pelo comentário. Apareça sempre!
    Abraços,
    Tarlei






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