Lápis de cor ©
Categoria: Música

Ano passado, no dia dos namorados, publiquei um post que me pareceu meio desencantado, efeito talvez do outono em que estou. O desencanto virou encanto graças a uma cena que vi, logo depois de publicado o post, numa fila de hipermercado. O tom do post foi dizer que a experiência amorosa anda um pouco rarefeita nesses tempos de inconseqüente permissividade. Pois a cena que vi coloriu meu desencanto, a começar pelos protagonistas, um casal de rapazes. Eram jovens – uns vinte e poucos anos, se tantos –, eram bonitos e era bonito o carinho que trocavam entre si. Nada muito ostensivo mas também nada que disfarçasse em demasia o que havia entre eles. Eram carinhos discretos mas visíveis: um segurar de mãos, um apoiar a cabeça no ombro do outro, um brilho no olhar, um jeito de sorrir, coisas assim… Dava gosto ver os dois tão cúmplices, tão enamorados, tão imantados um do outro… Embora estivessem à minha frente, não consegui ouvir nada do que diziam. Nem era preciso. Bastou-me sentir o amor – ou isso que tão distraidamente chamamos de amor – acontecendo ali à minha frente, tão reconhecível, tão ao alcance do meu olhar atento. Se aquele primeiro post foi escrito em branco e preto, o destino tratou de pôr em minhas mãos dois lápis de cor para falar daqueles jovens ousando escrever seu amor sem esconder-lhe as cores. Viva o amor!

© Nota de canapé: Linda canção da Fátima Guedes.


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    Alexandra
    12 de junho de 2012

    O texto mais bonito que li no dia dos namorados!
    E viva o amor, com todas as cores com que pode ser inventado!

    Meu abraço amigo,
    Alexandra


    Tarlei
    12 de junho de 2012

    Querida Alexandra,
    viva a sua generosidade! Ela é que põe cores nos traços que intento.
    Obrigado!
    Abs,
    Tarlei






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