Só as mães são felizes ©
Categoria: Música

Vida de mãe não é fácil. Se trabalha fora, como é a realidade da maioria delas, é mais difícil ainda. No restaurante Green’s vi uma mãe sendo mãe – e me enterneci. Estava com as duas filhas, uma delas no braço. A do braço (Cíntia?) era um pinguinho de gente, uma mosquinha falante que só ela – e falando quase como gente grande. Que topete! A maiorzinha (Ana) não parava quieta. Falava o tempo todo, tocava em tudo que alcançava, puxava, mexia, remexia… A mãe cuidava de servir o caldo com apenas uma das mãos livres. Enquanto isso, a maiorzinha continuava falando, tocando em tudo, puxando, mexendo, remexendo… O que me enterneceu foi ver a mãe ter posto de lado o cansaço de todo um dia de labuta para cercar de atenção as filhas. A mãe – visivelmente cansada depois de um dia exaustivo; as filhas – serelepes, animadas, cheias daquela energia que sabe-se lá que horas vai acabar… Servido o caldo, começa a peleja da mãe para que as filhas comam. A reação já se sabe de antemão: elas recusam tudo. Lá vai a mãe, com toda a paciência, insistir até que elas aceitem UMA colherinha. A mãe respira fundo e sabe que a peleja vai longe. E cabe à mãe a impossível arte de combinar severidade com doçura. E há mães que conseguem! A de que falo conseguiu – e com louvor. Cena linda – que não assisti até o final. O que vi por último foi a mãe pedindo água natural sem gás. A maiorzinha diz que quer com gás. Súbito a menorzinha grita voluntariosa: “Eu também quero água com gás”. Está claro que o grito de um pinguinho de gente não é um grito, é só intenção de grito. Achei o máximo aquela miniatura falante se atrevendo ao grito. A mãe pede água sem gás, já antevendo o tanto de arte que terá de mobilizar para convencer as filhas a beberem água sem gás. O lindo do amor é isso: esse doar-se apenas, esse doar-se todo, esse doar-se feliz. Sim, porque eu estava diante de uma mãe cansada, mas não menos feliz. Viva essa mãe! Viva todas as mães!

© Nota de canapé: Parceria très triste de Cazuza e Frejat.


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    Janice
    7 de junho de 2012

    Oi Tarlei, demoro para passar pelo “Artevida”, mas quando passo, não sei o que ler primeiro. Cada vez mais, tenho comigo que você é um acidente contábil. O que você é mesmo, além de um grande amigo, é um vassalo da palavra, como sempre muito bem talhada, colocada, revigorada, inusitada… em tudo que você escreve. Receba meu abraço carinhoso. Muito além do que simplesmente um Contador, você é um exímio CONTADOR de histórias. Beijo, Janice.


    Tarlei
    7 de junho de 2012

    Oi, Janice!
    Que alegria ler suas palavras tão generosas. Sem dispensar o elogio que está em “exímio CONTADOR de histórias”, muito embora não o mereça, sinto-me mais um CATADOR de histórias. E assim os fatos contáveis foram ganhando a primazia da minha atenção e vêm deixando em segundo plano os fatos contábeis.
    Uma honra saber que você se dispõe a “passear” por este puxadinho. Muito obrigado!
    Abs,
    Tarlei






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