O poder ultrajovem ©
Categoria: Literatura

No restaurante Green’s, cena de uma criança (5 ou 6 anos) serelepe, falante, desinibida. Chamou-me a atenção quando fez um pedido para o garçom: queria dois garfos. Mas o pedido sai num tom de ordem, sem o menor sinal de um “por favor!”. Depois lembrou-se de que também queria duas facas. Chamou de novo o garçom, alto: “Moço, moço! Duas facas também!”. Pensei tratar-se de uma menina rica, acostumada a dar ordens aos pais, aos professores e, claro, às empregadas da casa. Vejo crianças (ou ‘crionças’) que, moldadas pela permissividade dos pais e entregues aos caprichos da própria vontade, transformam-se em precoces tiranos. Apesar de ter achado a menina esperta, atirada, antipatizei um pouco com a desenvoltura autoritária dela. Não se entenda daí que eu não gosto de crianças. Só não gosto de ‘crionças’. Eu mesmo fui criança voluntariosa. Os astrólogos, aliás, dizem que a criança de touro é um doce de pessoa, mas só faz o que quer. Eu, remenino, sou obrigado a concordar.

© Nota de canapé: Livro de Carlos Drummond de Andrade.


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