Saudade do futuro ©
Categoria: Música
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Na aventura de uma pós em filosofia não me dei muito bem com a lógica. Apesar disso, consegui a façanha de fechar o curso com um inacreditável “MS”. Tem lógica? A menção “MS”, na Unb, equivale a um desempenho que vai de 7,0 a 8,9. Não me perguntem os que gostam de nocautear os incautos com uma lógica implacável como consegui a proeza – e se a proeza foi possível, eis um claro sinal de que a lógica nem sempre triunfa. Para o primeiro Wittgenstein, a lógica triunfa sempre. Eis o que ele diz, com lógica irretorquível: “Representar na linguagem algo que ‘contradiga as leis lógicas’ é tão pouco possível quanto representar na geometria, por meio de suas coordenadas, uma figura que contradiga as leis do espaço; ou dar as coordenadas de um ponto que não existe”. Deve ser por isso que não me dou bem com as amarras lógicas. E tenho gosto de contrariá-las. Por exemplo, dizer que estou com saudade do futuro é um atentado brutal à lógica. Dane-se a lógica. Fico com a verdade do sentimento, que está acima de todas as lógicas. Meu professor de lógica, Julio Cabrera, tem um livro que se chama A lógica condenada. Se ele, um lógico, condena o objeto de sua especialidade, que mais posso fazer? A propósito da minha saudade do futuro, diria que é só um comichãozinho, uma vontade de espiar um pouquinho adiante no tempo – não muito, claro. Vai que, avançando no futuro não muito próximo, não me encontro por lá? Melhor mesmo é olhar para o passado. Para lá podemos nos voltar à vontade e sem sustos, e em paz com a lógica. Embora nos voltemos para o passado, é sempre para o futuro que caminhamos – sem volta. Maldita lógica!

© Nota de canapé: Canção da compositora Joyce Moreno.


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