O que tinha de ser ©
Categoria: Música

 

Fico encantado com as aparentes assimetrias que regem nossas vidas. Pelo viés da lógica, eu devia me consagrar aos números com amorosa dedicação: sou bancário desde os 19 anos e fiz Ciências Contábeis. No entanto, apesar dessa aparente adesão aos números, a vida me proporcionou um maravilhoso desvio. Senão veja: o profissional da contabilidade é um contador. Pela autossuficiência que a ciência se outorga, não é necessário que se diga contador de quê. Eis aí uma primeira brecha para o meu desvio. No Aurélio, a primeira acepção para contador é aquele que conta, que refere, que relata… A última acepção é a que denomina o contador como indivíduo diplomado em contabilidade. O desvio de que falo me fez aderir, por certo de maneira inconsciente, à primeira acepção. Além disso, em tempos d’antanho contador era chamado de guarda-livros. Outra brecha para o desvio: passei a amar os livros, não exatamente os de contabilidade. E um último desvio, agora vindo da profissão bancária. A despeito da designação que se dê às funções de um bancário, somos todos, em essência, escriturários. O contador é também um escriturário. E de escriturário se vai a escrevente. O mágico desvio que a vida me proporcionou foi o poder (humílimo) de escriturar palavras, e não somente números. E de amar os livros como objetos táteis e transcendentes…

 

 © Nota de canapé: Canção de Tom Jobim e Vinícius de Morais, nomes que falam por si.


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    Josiane Angieuski Vaz
    27 de fevereiro de 2011

    Parabéns, meu querido amigo Tarlei!!!
    Você é um gênio com as palavras.
    Posso passar horas maravilhosas lendo o que você escreve.
    Um grande abraço e siga em frente,
    Josi.


    tarlei
    27 de fevereiro de 2011

    Menina Josi,
    Obrigado pelo carinho das suas palavras!
    Em matéria de escrever me vejo apenas como um humilde tecelão.
    Sinto que agora não tenho mais saída: o jeito é seguir em frente.
    Abraços,
    Tarlei


    Angela Yvonne Barros de Oliveira
    16 de março de 2011

    Tarlei,

    Acho que vc deveria usar esse talento qq dia em um projeto mais ambicioso, a exemplo de publicar um livro. Bagagem, para isto, vc tem de sobra nas suas “tecelagens” com as palavras.


    Tarlei
    16 de março de 2011

    Ângela,

    Você é muito generosa. Agradeço. De todo modo, não me sinto apto a “encher de vãs palavras muitas páginas / e de mais confusão as prateleiras” (Caetano Veloso). Sou apenas um “nadifundiário” (neologismo do Manoel de Barros) que adora lavrar as terras da escritura e pôr nelas uns canteirinhos invisíveis. É só isso!

    Tarlei






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