Giz
Categoria: Literatura

O processo de escrita pressupõe o roubo, explícito ou não, de outros autores. Eu adoro praticar esse tipo de crime e não é sempre que me dou à honestidade de confessar o roubo, usando, como convém, as devidas aspas. O roubo de hoje é às claras. O alvo é um lindíssimo poema do Marcos Bagno (escritor, lingüista, professor da Unb) chamado Giz e que pode ser lido aqui. Tal como fiz com o poema O vôo, o que segue é mais uma colheita livre e despudorada em quintal alheio.

Tanto venho me entregando à escrita que quase sinto que não sou eu que escrevo. Escravo, nada mais faço que seguir a sina de lavrar, de escavar o chão cheio do que a vida espalha. Espelho, capto os brilhos do chão e os espalho no papel. Não, não sou eu que escrevo. Transcrevo o que uma voz me dita. É assim que eu, destemido lápis, ágil me risco nos campos minados da escrita.


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