A cara do Brasil ©
Categoria: Música

Quando Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil, descobriu que aqui se achavam milhares de índios. Pero Vaz de Caminha, o escrivão da armada de Cabral, assim os descreveu em carta a El-Rei D. Manuel: “A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. (…) Os cabelos deles são corredios. E andavam tosquiados, de tosquia alta antes do que sobre-pente, de boa grandeza, rapados todavia por cima das orelhas.” Índios, brancos e, depois, negros – as três raças que esculpiram a cara do Brasil – filharam-se a valer numa profusão de cafuzos, mamelucos e mulatos. Tamanha mistura fez do Brasil uma nação mestiça e deu ao brasileiro um jeitinho que é só seu.

Atualizando o que disse Pero Vaz da gente indígena, de nós, os brasileiros de hoje, se poderia dizer: “A feição deles é serem todos misturados.” Para além da diversidade advinda dessa mistura, o Deus da parecença deu um jeito de pôr na nossa cara o que verdadeiramente nos define: a alegria. A alegria é a assinatura mais visível e comum a todos nós. Vejo no filme Xica da Silva, de Cacá Diegues, uma bela síntese dessa alegria. Xica da Silva cai nas graças de um fidalgo. Alegre ela era, alegre continuou, só que agora muito invejada por causa do poder. Como é próprio do mundo do poder, o fidalgo cai em desgraça e Xica se vê sem amor, sem bens, sem poder, mas a alegria restou intacta – e era contagiante a gargalhada com que ela enfeitava essa alegria.

Sei bem que a alegria não está sempre na cara do nosso povo, mas há nos brasileiros uma inequívoca vontade de alegria. Viva a nossa alegria!

© Nota de canapé: Parceria de Celso Viáfora e Vicente Barreto. Pode ser ouvida aqui na voz de Ney Matogrosso.


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    Nilo Gadioli
    24 de abril de 2012

    Prezado,
    Com referência ao texto, acredito haver um engano quando se afirma “o fidalgo cai em desgraça e Xica se vê sem amor, sem bens, sem poder”. A bem da verdade histórica, o fidalgo voltou para Portugal deixando Xica com muitos bens e ainda com poder suficiente para ter seu corpo enterrado em uma Igreja, coisa reservada apenas para brancos importantes, à época. Espero ter contribuído.

    Grato,
    Nilo Gadioli


    Tarlei
    24 de abril de 2012

    Nilo,
    Obrigado pela observação! De fato eu não tinha conhecimento desse desdobramento histórico. Escrevi unicamente guiado pela memória que me deixou o filme “Xica da Silva”.
    Fique à vontade para outras visitas e outras observações. Todas serão bem-vindas!
    Abraço e obrigado,
    Tarlei






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