Ebulição da escrivatura ©
Categoria: Literatura

Ter descoberto em mim esse jeito para a escrita telegráfica resultou numa irrefreável ebulição da escrivatura, comprovada pelos textos que transbordam sem parar. Desde então, se vem a vontade de escrever, escrevo às cegas, às pressas, sem receita, sem plano, e desconfio que o resultado não seja lá muito apetecível. É o preço que pago. Antes, a vontade de escrever era mantida em banho-maria, à espera da melhor hora – que nunca chegava – de dar o ponto no texto. Agora, o que me passar pela cabeça, mesmo se for uma ideia sem pé nem cabeça, e eu pressentir que pode render qualquer porção de texto, jogo na panela da página e vejo o que vai dar. A receita tem funcionado e, graças a ela, sirvo quase todo dia o meu mexidinho de palavras para a degustação do raro leitor, não sendo pequeno o risco de indigestão, ainda que a porção seja sempre bem reduzida. A pergunta que cabe, e cuja resposta prefiro não saber, é: até quando os que me lêem (é preciso ser otimista) suportarão esse regime de ebulição da escrivatura?

© Nota de canapé: Belo trocadilho para uma antologia que traz o seguinte subtítulo: Treze poetas impossíveis.


(2)


    Edna Freitass
    1 de março de 2012

    hum…. esta salada de pensamentos está na medida certa, viu? o leitor sai deliciado de tantos sabores. inté.


    Tarlei
    1 de março de 2012

    Deliciado eu fico, embora sem merecer, com palavras assim tão generosas. Obrigado!
    Abs, Tarlei






© 2017 - ArteVida – A vida sem a arte é insustentável – Blog do Tarlei Martins - todos os direitos reservados
Design: V1 Digital - desenvolvido em WordPress