O mundo desde o fim ©
Categoria: Literatura

Isso de ler muito deixa a gente meio avariado das idéias – palavras que um querido amigo subscreveria in totum. Pois eu li esta frase na rede, dita por um palestrante num evento recente, e fiquei pasmo: “E-mail é um meio de comunicação em extinção”. Quando leio notícias que me cobrem de assombro, ainda mais se a notícia tende a se tornar realidade, tenho vontade de dizer o que disse o Dussek na deliciosa canção Nostradamus: “Levanta / Me serve um café / Que o mundo acabou”. A verdade é que a minha geração assistiu a um sem-fim de mundos. Segundo vaticinam futurólogos, está chegando a vez do fim do e-mail. Mundos acabam e nós, os dinos, resistimos. Melhor: eu resisto. Até quando? Tão avesso sou a certas mudanças que é um espanto que ainda não tenham me empalhado como último representante do homem de Neanderthal. Quantos mundos mais ruirão antes de mim? Quantos mundos mais serão inventados antes do fim? Enquanto não chega a hora de desembarcar dessa cada vez mais tresloucada máquina do mundo – valendo ressaltar que não tenho pressa nenhuma para o desembarque –, tenho de me adaptar minimamente ao entorno. Minha mãe é que está certa: mal toma conhecimento do que vai pelo mundo, vasto mundo da rede. Mundos ruem, mas o mundinho dela, embalado pelas ondas da TV, resta intacto.

© Nota de canapé: Livro de ensaios do poeta Antônio Cícero.


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