O que tinha de ser ©
Categoria: Música

Às vezes me pego pensando nos descaminhos que me trouxeram até o blog. Olho pra trás e me espanto com a existência dele. Durante um bom tempo o blog se equilibrou no frágil fio da minha vontade. Ociólogo nato, era mais que improvável que o desejo de ter um blog conseguisse atravessar os desertos da minha preguiça. “Só eu sei os desertos que atravessei” (Djavan). Só não sei como consegui a façanha da travessia. No embate da vontade com a preguiça, a probabilidade em favor da preguiça era enorme. E no entanto…

Repare nos tantos descaminhos que venci: a primeira tentativa foi com o Bruno Cobbi, um aprendiz de escritor, blogueiro e webdesigner de Sampa com quem protagonizei a primeira e única conversa por Skype. Apesar do entusiasmo dele, a coisa não fluiu. Tive de dispensá-lo com estas palavras: “Parece que a experiência de ‘parir’ um blog à distância não está se mostrando efetiva. Por conta disso, resolvi viabilizar uma solução local, não sem lamentar essa mudança de ‘pai’ para o ‘filhinho’ prestes a nascer. Afinal, foi com você que primeiro partilhei a idéia do blog. E fico muito grato pelo entusiasmo com que você acolheu meu projeto quanto ele era só uma idéia no imenso espaço ainda feito de vazio”.

A solução local apareceu por acaso. Eu estava num evento em que participava o escritor Luiz Ruffato. Por conta da minha admiração, me atrevi a dirigir ao Ruffato algumas palavras, com microfone e tudo. Um escritor local, André Giusti, ficou curioso do leitor que sou e quis me enviar um livro dele. Recebi o livro, não li, mas agradeci. Um belo dia, recebi e-mail dele anunciando o próprio blog. Como não era um blog prêt-à-porter, procurei alguma indicação sobre o webdesigner. Estava (está) lá: V1 Digital. Fui no Google e cheguei ao Vilhena, o anjo que não deixou meu desejo soçobrar na areia movediça da preguiça.

A travessia seguinte foi a da mudança de operadora de telefonia. Fiquei meses adiando a iniciativa da mudança, até que resolvi me informar sobre a tal portabilidade. Descobri que podia restringir meu contato unicamente à nova operadora. Aí me animei.

Outra travessia foi a da retirada do notebook da embalagem, quatro meses depois da compra. E aconteceu de um jeito que se ajeitou melhor do que a encomenda. Banda larga já instalada, quis um roteador para garantir minha mobilidade – nem era preciso, já que não tenho para onde me mover, tão mínimo é o meu espaço. Eu imaginava que o roteador pudesse ser instalado sem o notebook. O técnico chegou e logo perguntou pelo notebook. Constrangido, apontei para a caixa. Ao contrário do que eu esperava, o técnico não se mostrou aborrecido com o trabalho adicional: desembalou, ligou, testou, configurou, formatou etc. – eu nem olhava para aquele negócio. Gratifiquei-o com a generosidade que me caracteriza, ele ficou satisfeito e eu fiquei rindo à toa.

Tudo pronto para o blog decolar, faltava vencer a preguiça de aprender os procedimentos básicos para po(p)star. Isso demorou uns tantos meses. Até que, contra todas as probabilidades, chegou o dia de me jogar na rede. Desde então insisto em lançar mais fios nessa rede sem fim.

Era o que tinha de ser.

© Nota de canapé: ver aqui.


(2)


    Edna Freitass
    20 de fevereiro de 2012

    Muito querido Tarlei,
    Parir um blog é mesmo sofrido.
    Eu que o diga.rsrs
    Tô aqui, espreitando você.
    Inté.
    Edna Freitass


    Tarlei
    22 de fevereiro de 2012

    Pois é, Edna!
    E lembro uma propaganda antiga: não basta ser pai (ou mãe), tem de participar. Quando a gente resolve dar um blog ao ciberespaço, tem que estar disposto a cuidar do bichinho.
    Obrigado pela tocaia da sua atenção para o meu puxadinho. Uma honra!
    Abs,
    Tarlei






© 2017 - ArteVida – A vida sem a arte é insustentável – Blog do Tarlei Martins - todos os direitos reservados
Design: V1 Digital - desenvolvido em WordPress