A vida é sonho
Categoria: Teatro

Drummond, numa alusão ao movimento modernista com um quê de ironia, escreveu num poema: “Cansei de ser moderno, agora quero ser eterno.” Não resisti à tentação da atualização que, numa alusão também irônica a isso que chamam de pós-modernismo, ficou assim: “Cansei de ser pós-moderno, agora quero ser pós-eterno.” Ironia à parte, fui longe ao me proclamar pós-eterno. Não é o máximo de audácia querer estar além da eternidade quando a própria eternidade é uma ficção dos sentidos? Sou abusado mesmo. A realidade é que não passo de um feixe de ossos e sonhos, os quais garantem minha sustentação física e metafísica. A única certeza é que estou cercado de incertezas por todos os lados e me alimento tão só do susto de viver. Um dramaturgo (Calderon de la Barca, acho) deu a uma de suas peças o título A vida é sonho. Eu, mero escrevente, digo: “A vida é susto”. Entre tantas incertezas, a certeza de que “adiante um dia vou morrer – de susto, de bala ou vício” (Gilberto Gil e Torquato Neto). Ah, vida louca!


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