Jogo da vida ©
Categoria: Televisão

Faz parte do jogo da vida: todo dia há jogadores entrando em campo ou saindo de campo. Uma vez em campo, estamos entregues ao compasso do destino. E está escrito nas dobras do tempo que em algum momento teremos de sair do jogo. Um jogador que entra no time da vida é recebido com alegria e festa. A saída de campo de um jogador, embora seja da regra do jogo, é sempre vivida com tristeza e dor. Assim em qualquer time. No time da família, vivemos a tristeza recente de ver sair de campo uma incansável jogadora. Falo da tia Joana, antecaçula dos irmãos de minha mãe. Na minha galeria íntima de heróis, que já reverenciei aqui, a tia figura entre os mais fortes. Há mais de vinte anos ela foi vítima de um atropelamento. Para além dos ferimentos externos, já de si dolorosos, mas remediáveis, a gravidade do acidente veio de os pulmões terem sido atingidos. O resultado foi que a tia passou a contar com apenas meio pulmão para seguir jogando o jogo da vida. E por mais de vinte anos seguiu jogando assim, com a respiração bastante comprometida. Internações breves, muitos remédios no cardápio dos dias, a tia seguiu em frente, sempre curtindo os lances bons de se estar vivo. Morando longe dos irmãos e de dois dos filhos, uma vez por ano a tia os visitava. Minha mãe, claro, fazia parte do roteiro das visitas. E para que ninguém deixasse de ser visitado, a viagem durava cerca de um mês. As visitas eram o momento perfeito para a tia exercer sua vocação de Sherazade, desfiando o longo rosário das histórias familiares. Ao mesmo tempo que trazia histórias na bagagem, levava na bagagem de volta histórias recolhidas durante a visita. Foram muitas viagens e visitas. A última delas há três anos e especialmente para o aniversário de cinquenta anos do filho mais velho. Antes mesmo da viagem de volta, já não se sentia bem. Mal chegou em casa e os filhos tiveram de interná-la. Parecia mais uma internação breve, como tantas outras. Não foi assim. Com o agravamento da lesão pulmonar, o quadro se complicou de súbito e foi transferida às pressas para uma UTI. Meses de internação. De volta pra casa, passou a viver em regime de home care, dependendo de aparelho para respirar. Assim por três anos, com várias internações a cada complicação da lesão. Creio que, desses três anos, a tia terá passado um terço deles internada numa UTI – realidade duríssima que ela enfrentou bravamente. Até que, no último dia 18, a tia saiu de campo, heroicamente. E dela digo, com imensa admiração e orgulho, que foi uma campeã absoluta no jogo tão duro da vida.

Obrigado, tia, pelo legado do seu amor incondicional à vida!

Nota de canapé: Telenovela de Sílvio de Abreu, exibida no início dos anos 80.

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Hilda Furacão ©
Categoria: Literatura

PSiu: foto da cerimônia em que a Profª Hilda recebeu o título de Cidadã Honorária de Brasília.

Ela tem na paixão o seu principal combustível. A maior das paixões é ensinar. Recém-comemorou seus cinquenta anos de ensinagem numa Aula Áurea. Senhora absoluta de seu ofício, ela não cessa de nos dar lições de vida – e de paixão. Quem se aproxima das lavas de sua apaixonada entrega à arte de ensinar, não se afasta mais. O furacão Hilda, todo lavado em paixão, está sempre dando um jeito de juntar seus tantos alunamigos. É uma ajuntadora de gente. É uma polinizadora de almas. Hoje, porque é aniversário dela, alguns alunamigos estarão reunidos em torno de sua chama amorosa, calorosa. E eu, mesmo longe, estarei presente de coração inteiro. Repare o raro leitor que a aniversariante nasceu no mesmo dia do Rosa – ele mesmo, o feiticeiro-mor das palavras. E não é menos feiticeira a nossa bruxILDA, como é carinhosamente chamada. É que ninguém resiste ao seu feitiço todo feito de afeto. Além do mais, ela é apaixonada pelo Rosa. Não é por acaso que é uma Rosa a última de suas orientandas. É uma Rosa prestes a doutorar-se em Rosa. Natural, pois, que ela viva cercada do Rosa, da Rosa, de muitas outras rosas. Eu, não podendo cercá-la de rosas, mando um discreto buquê de pRosa.

Parabéns, Profª Hilda!

© Nota de canapé: Romance do mineiro Roberto Drummond (1933-2002).

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