Malabaristas do sinal vermelho ©
Categoria: Música

Já dizia um conhecido meu: “A vida não dá moleza pra seu ninguém”. Mesmo para quem pode se orgulhar de ter um bom emprego, a vida não é fácil. Que dirá para a maioria de desafortunados!! Entre tantos, os malabaristas do sinal vermelho. Eles têm de fazer graça tendo tudo contra: o tempo do sinal, a má vontade dos motoristas, a precariedade do número que apresentam… E não é incomum que os passantes em seus possantes não lhes dêem uma única e mísera moeda. Dia desses, a caminho da Livraria Cultura, pude observar dois malabaristas. O normal é que o número seja individual. O fato de ser uma dupla já me chamou a atenção. Do ônibus eu pude assistir à exibição. E porque fazia um calor de 34º, fiquei condoído de ver os dois malabaristas, jovens ambos, batalhando uns trocados no maior desconforto. O número foi bem executado. Nenhum erro. E com tudo contra – repito. Eles tinham de fazer o número o melhor possível, sem esquecer o tempo do sinal e sem esquecer que a exibição deveria acabar a tempo de amealharem alguma ajuda. Porque o que os motoristas desejam, a bordo da má vontade típica de quem está parado no sinal, é que o sinal abra antes que os malabaristas possam pedir algo. Por conta disso, o malabarismo da dupla tinha de ser duplo. Até onde pude ver, logo depois que o sinal abriu, nenhum motorista se dignou a ajudar a dupla. Logo que o sinal fechasse, dali a um ou dois minutos, eles começariam tudo outra vez, sem nenhuma certeza da mínima retribuição. De certo, apenas o sol inclemente das duas da tarde, o calor de rachar – e a indiferença de todos para a sorte daqueles pobres malabaristas do sinal vermelho.

© Nota de canapé: Parceria de João Bosco e Francisco Bosco, pai e filho.

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É ©
Categoria: Música

É a pressa. É o estresse. É o ofício. É o blog. É a pré-aposentadoria. É a volta pra Minas. É a reforma da casa. É a diarista. É o carro. É a habilitação vencida. É o (desejo de) mestrado. É pagar contas. É comprar víveres. É comprar (alguns) presentes. É comprar roupa. É comprar sapato. É cortar o cabelo. É a lavanderia. É ter de ter paciência. É a preguiça. É não deixar de sonhar. É cuidar da saúde. É a hipertensão. É o perigo nos recônditos do corpo. É ajudar o irmão. É não desistir nunca. É “rir além das próprias posses” (Paulo Mendes Campos). É chorar os que partem. É saudar os que chegam. É aceitar a decadência física. É conviver com os desvãos da alma. É estar atento a tudo. É ouvir o que diz o silêncio. “É desbravar a própria finitude” (Nélida Piñon). É cair e levantar. É dar a volta por cima (ou por baixo). É não dar cartaz pros desacertos. É querer mudar o mundo. É só poder mudar o seu mundo. É estar em equilíbrio. É ter fé. É estar em sintonia com o transcendente. “É voar fora da asa” (Manoel de Barros). É não perder o dom de mirar as estrelas. É olhar para o que ninguém vê. É ajudar o próximo. É guardar a própria dor no bolso. É dar ao outro a flor de um sorriso. É acolher sem julgar. É cuidar sem invadir. É correr atrás (ou na frente). É segurar o rojão. É dar um olé na tristeza. É saber “que tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo” (Joyce). É não esquecer que “o melhor lugar do mundo é aqui e agora” (Gilberto Gil). É pra quem tem coragem. É uma luta sem fim. É “caminhar sempre, apesar da poeira” (Edna Freitass). É tudo isso junto. “É a vida. É bonita, é bonita e é bonita” (Gonzaguinha).

© Nota de canapé: Canção de grande sucesso do Gonzaguinha. Foi um dos temas da telenovela Vale Tudo.

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